Doença avança entre jovens e prevenção é essencial
A campanha Março Azul Marinho promove a conscientização sobre o câncer de intestino, uma doença silenciosa que exige atenção aos sinais, fatores de risco e à importância do diagnóstico precoce. Nos últimos anos, o câncer colorretal tem chamado atenção não apenas pelo elevado número de casos, mas também pelo aumento entre adultos jovens. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, com estimativa de 45.630 novos casos por ano, sendo 23.660 entre mulheres e 21.970 entre homens.
Dados do boletim Info.oncollect, da Fundação do Câncer, apontam que a mortalidade por câncer colorretal deve crescer 36,3% nos próximos 15 anos. A projeção indica aumento de 35% entre homens e 37,6% entre mulheres até 2040.
O crescimento também é observado entre adultos mais jovens. Um estudo publicado na revista The Lancet Oncology em 2025 identificou aumento da incidência de câncer colorretal de início precoce em 27 dos 50 países analisados.
Prevenção e diagnóstico do câncer colorretal
O proctologista Danilo Munhóz, da clínica Primazo, reforça a importância da conscientização. “Muitas pessoas ainda acreditam que só devem procurar o proctologista quando sentem dor ou sangramento, mas o ideal é fazer consultas preventivas, antes que qualquer sintoma apareça”, alerta.
Ele explica que o câncer colorretal é silencioso nas fases iniciais, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante. “É comum que o paciente não sinta nada no começo. Quando surgem sinais como sangue nas fezes, alterações no intestino ou perda de peso, a doença já pode estar avançada.”
Entre os sinais que merecem atenção estão sangramento retal, mudança persistente do hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso inexplicada e anemia. “Não podemos normalizar esses sintomas. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as chances de cura”, destaca Munhóz.
O especialista recomenda que o rastreamento comece aos 45 anos para pessoas com risco médio, podendo ser antecipado em casos de histórico familiar ou doenças inflamatórias intestinais. “A colonoscopia é um exame seguro e rápido, capaz de detectar e remover lesões antes que se transformem em câncer. Isso muda completamente o prognóstico.”
Estilo de vida
Munhóz também destaca o papel dos hábitos diários na prevenção. Alimentação rica em fibras, consumo adequado de água e prática regular de atividade física ajudam a manter o intestino saudável e reduzem o risco de doenças.
Entre os fatores de risco estão obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de carne vermelha, alimentos ultraprocessados, álcool e tabagismo.
Para o especialista, a campanha Março Azul é uma oportunidade de quebrar tabus e estimular o diálogo sobre o tema. “Cuidar da saúde intestinal é um ato de autocuidado, e a prevenção salva vidas”, conclui.