5 doenças de pele comuns no verão

Calor, suor, exposição solar e hábitos comuns do verão, como as visitas à praia, favorecem o surgimento e a piora de infecções, alergias e inflamações cutâneas durante a estação

As altas temperaturas do verão são sinônimo de praia, festa e diversão. Porém, sem o devido cuidado, algumas pessoas podem literalmente sentir os efeitos da estação na pele. “O calor, a umidade, o suor excessivo e a maior exposição ao sol fazem do verão um período especialmente propício para o surgimento e a piora de diversas doenças de pele. Muitas dessas condições também estão diretamente relacionadas a hábitos típicos da estação, como ir à praia e à piscina e usar roupas mais justas”, alerta a dermatologista Glauce Eiko, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

As doenças de pele mais comuns no verão

Abaixo, a especialista destaca as doenças de pele mais comuns no verão, explicando por que surgem com mais frequência nesta época e quais cuidados ajudam a prevenir complicações.

Micose

Figurando entre as doenças mais comuns no verão, a micose é uma infecção causada por fungos que afetam pele, unhas, cabelos e mucosas. “Durante o verão, o uso prolongado de roupas molhadas, calçados fechados e a transpiração excessiva favorecem o surgimento do problema. Já que o calor e a umidade criam um ambiente ideal para a proliferação desses microrganismos, especialmente em áreas como pés, virilhas, axilas e dobras da pele”, diz a dermatologista.

Para evitar a doença, o principal cuidado é manter a pele sempre limpa e bem seca. “Evitar permanecer com roupas molhadas, dar preferência a peças leves e não compartilhar objetos pessoais, como toalhas e calçados, ajudam a reduzir o risco. Em ambientes úmidos, como praias, piscinas e academias, o uso de chinelos também é fundamental”, recomenda a especialista. Com relação ao tratamento, ele geralmente envolve o uso de antifúngicos tópicos ou orais, dependendo da gravidade.

Fitofotodermatose

A fitofotodermatose é um problema bastante comum no verão brasileiro, sendo caracterizada pelo surgimento de manchas e queimaduras após o contato com frutas cítricas, principalmente. “A casca e o sumo de frutas como o limão e laranja contêm substâncias fotossensibilizantes que, em contato com a pele seguido de exposição solar, desencadeiam manchas e queimaduras. Por isso, é tão comum no verão, afinal, passamos mais tempo no sol”, detalha a médica.

Geralmente, elas surgem dentro de 24 horas, promovendo um processo inflamatório que pode causar escurecimento e vermelhidão na pele. Eventualmente, com formação de vesículas e bolhas, dependendo da intensidade da reação. “Mas a prevenção é simples, bastando lavar bem a pele após mexer com frutas cítricas (limão, tangerina, laranja, mexerica, morango e figo). Além de alimentos como cenoura, arruda, aipo, salsinha, coentro, erva-doce. Lembre-se que o sumo também pode respingar em outras regiões além das mãos, como os braços, rosto e tronco. Então é importante prestar atenção também nessas áreas”, recomenda.

Brotoejas

As miliárias, popularmente conhecidas como brotoejas, surgem comumente no verão, principalmente em bebês e crianças, devido à transpiração excessiva. “O excesso de suor e oleosidade acaba obstruindo os poros, dificultando a eliminação natural dessas substâncias pela pele. Como resultado, surgem pequenas erupções avermelhadas, acompanhadas de sensibilidade, coceira e desconforto na região afetada”, explica Glauce Eiko.

Para prevenir as brotoejas, é importante manter a pele sempre fresca, limpa e seca, evitando ambientes e roupas muito quentes e abafados. “Banhos mornos ou frios, assim como a hidratação adequada da pele, também são importantes tanto para prevenção quanto para proporcionar alívio. O uso de loções calmantes e medicamentos tópicos pode ser indicado por um dermatologista para reduzir a inflamação e o desconforto. Durante o tratamento, o uso de protetor solar também é indispensável para evitar marcas na pele”, aconselha.

Queimadura de caravela portuguesa ou água-viva

Comuns nas praias brasileiras, a água-viva e a caravela portuguesa são animais lindos, mas que, em contato com a pele, podem causar queimaduras dolorosas. “Esse tipo de lesão ocorre devido a toxinas liberadas por esses animais, causando dor intensa, ardor, vermelhidão e, em alguns casos, formação de bolhas”, detalha a especialista. O contato pode acontecer não apenas no mar, mas também na areia, então é importante prestar atenção onde você nada e anda. “Caso você encoste em uma água-viva ou caravela portuguesa, a primeira orientação é lavar com água do mar e não com água doce. Isso porque a água do mar ajuda a remover as toxinas e resíduos de tentáculos, enquanto a água doce piora o desconforto. Em seguida, procure atendimento médico.”

Dermatite seborreica

Conhecida popularmente como caspa, a dermatite seborreica tende a se intensificar no verão, já que o calor favorece o aumento da transpiração e da produção de oleosidade. “A dermatite seborreica é caracterizada por inflamação da pele, com descamação, vermelhidão e aumento da oleosidade, especialmente em áreas ricas em glândulas sebáceas. Por isso, é mais comum no couro cabeludo, mas também pode atingir regiões como rosto, tórax, axilas e orelhas”, afirma Glauce Eiko.

Segundo a especialista, a maior produção de oleosidade na estação também favorece a proliferação de fungos naturalmente presentes na pele, o que intensifica o processo inflamatório. Por isso, a prevenção envolve manter a pele e o couro cabeludo limpos, evitar água muito quente e controlar fatores como estresse e calor excessivo, que tendem a agravar o problema. “Apesar de não ter cura, a dermatite seborreica pode ser controlada com o uso de shampoos e loções específicos, além de medicamentos tópicos ou orais, como antifúngicos”, finaliza a dermatologista.