Especialista alerta que a condição exige abordagem voltada à microcirculação e função mitocondrial
Frequentemente confundido com obesidade ou celulite, o lipedema, acúmulo desproporcional de gordura em membros inferiores acompanhado de dor e edema, ganhou os holofotes após relatos de figuras públicas como Yasmin Brunet, Gracyanne Barbosa e Paolla Oliveira. No entanto, a ciência alerta que para até 12% da população feminina, o esforço na academia e a restrição calórica podem não ser suficientes.
Uma revisão sistemática publicada em janeiro de 2026 na revista científica Archives of Gynecology and Obstetrics confirmou que o lipedema possui uma fisiopatologia própria, ligada a desequilíbrios no estrogênio e alterações genéticas no tecido adiposo. O diagnóstico correto é o primeiro passo para evitar o ciclo de frustração de pacientes que não veem resultados com métodos tradicionais.
O tratamento do lipedema precisa ir além
De acordo com o nutrólogo Sandro Ferraz, especialista em emagrecimento e saúde metabólica, o tratamento eficaz precisa ir além do déficit calórico. “O lipedema é uma doença inflamatória de baixo grau que compromete a microcirculação e o metabolismo celular. Tratar apenas o peso é ignorar a causa raiz”, explica.
A nova fronteira terapêutica foca em três pilares principais:
- Suporte mitocondrial e energético;
- Otimização da microcirculação;
- Desintoxicação e metilação.
Protocolos modernos utilizam substâncias como o ácido alfa-lipoico e a L-carnitina. Enquanto o primeiro combate o estresse oxidativo severo das células afetadas, a L-carnitina atua no transporte de ácidos graxos para dentro das mitocôndrias. “O objetivo é transformar a gordura estagnada em fonte de energia, reduzindo a fadiga crônica relatada pelas pacientes”, afirma Sandro.
Outras opções
Já o foco na produção de óxido nítrico combate o inchaço e a sensação de peso. O uso combinado de L-arginina e L-citrulina favorece a vasodilatação e o fluxo sanguíneo local. “Melhorar a microcirculação nas regiões afetadas é crucial para reduzir o processo inflamatório e o acúmulo de líquidos”, destaca o especialista.
O uso de compostos como o SAMe (S-adenosil-L-metionina) tem sido integrado às abordagens para apoiar a função hepática e os processos de metilação celular, essenciais para o metabolismo lipídico e a regulação hormonal.
Para finalizar, Sandro ressalta que, embora a suplementação e as intervenções metabólicas sejam aliadas poderosas, o sucesso depende de uma visão 360°.