
Com a chegada do março azul, precisamos lembrar que o câncer de intestino é o terceiro tipo mais comum no mundo e o segundo no Brasil. Segundo a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 45.630 casos surgem todos os anos no país. Em 90% deles há chances de cura, principalmente se o diagnóstico for precoce.
Campanha março azul
Março Azul é o mês de conscientização e combate ao câncer colorretal, um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, que compreende o cólon e o reto. Geralmente originam-se de lesões benignas (pólipos) e que com o passar do tempo viram cancerígenas. “Os pólipos se multiplicam e proliferam, em algum momento pode acontecer uma mutação genética de uma forma descontrolada. E essa mutação pode virar um câncer”, explica Maurício Assef, médico endoscopista.
No início, o câncer colorretal não apresenta sintomas. Em estágios mais avançados, os sinais podem ser observados pelos próprios pacientes. Seja por meio de mudanças nos hábitos intestinais, como diarreias frequentes, intercaladas com prisões de ventre, sangue ou muco nas fezes e até dor abdominal.
Março azul lembra que os exames de rotina e bons hábitos fazem parte da prevenção
Indica-se o exame de colonoscopia para homens e mulheres a partir dos 45 anos. Esta é a forma mais eficaz de prevenção, porque detecta o câncer em estado inicial. Ou seja, antes do aparecimento dos sintomas, e ainda retira lesões benignas que futuramente podem virar câncer. “Durante o exame, todos os pólipos, ou seja, as lesões benignas que crescem no intestino, já serão retiradas. Assim, o paciente diminui o risco de desenvolver esse câncer futuramente”, explica o colonoscopia.
A prevenção também está no estilo de vida saudável, ou seja, fazer boas escolhas alimentares, tomar bastante água, não fumar e praticar atividades físicas regularmente.
Fatores de risco
Os fatores de risco do câncer de intestino estão relacionados com genética, maus hábitos e doenças inflamatórias intestinais.
Ele pode ser hereditário, pessoas que têm familiares de primeiro grau, ou seja, pais e irmãos, que tiveram o câncer colorretal precisam ficar mais atentas. “Geralmente, são pessoas que têm um risco maior, por isso, precisam estar sob vigilância, realizando exames preventivos 10 anos antes da idade que os familiares tiveram o câncer, para detectar a doença antes do surgimento das lesões”, explica o especialista
Pacientes que têm doenças inflamatórias intestinais, como colite ulcerativa ou Doença de Crohn, precisam ficar mais atentos à saúde do intestino.
A alimentação é importante quando falamos de prevenção para esse tipo de câncer. O ideal evitar carnes vermelhas muito gordurosas, alimentos ultraprocessados e álcool. O ideal é consumir mais frutas, verduras, fibras, alimentos prebióticos e probióticos e proteínas magras.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito após o exame de colonoscopia com biópsia.
O exame é seguro e indolor, visto que os pacientes ficam sedados durante o procedimento.
Quanto melhor a qualidade de imagem do equipamento, maiores são as chances de detectar pequenas lesões. “Em alguns casos, a ressecção de uma lesão, por vezes já cancerígena, porém precoce, já é feita durante o exame, ou seja, com a retirada das lesões o paciente não precisa ser submetido a cirurgia”, afirma o Dr. Maurício.
Famosos que receberam o diagnóstico de câncer colorretal
Especialista
Dr. Maurício Assef, endoscopista, mestre em cirurgia-geral pela Santa Casa de São Paulo, conta com 25 anos de experiência em doenças do aparelho digestivo.
Atualmente, é coordenador do setor de endoscopia do Hospital Leforte Morumbi e diretor da Clínica Endostar – centro de endoscopia avançada.
É mestre em medicina, na área de cirurgia-geral, com especializações em cirurgia-geral, endoscopia digestiva e respiratória.
Formou-se em 1998, pela faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP), e concluiu o mestrado em medicina em 2008 na mesma instituição. Foi assistente em serviço de residência médica em endoscopia entre 2003 e 2018 também na Santa Casa e fez especialização em ecoendoscopia na França em 2004 (Marseille) e nos Estados Unidos em 2010 (Mayo Clinic Jacksonville).