LCA: entenda a lesão que tirou Rodrygo Goes da Copa do Mundo Foto: Reprodução Internet

Lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho está entre as lesões mais sofridas por jogadores de futebol

O jogador Rodrygo Goes, atacante do Real Madrid e da Seleção Brasileira de Futebol, está fora da Copa do Mundo após uma lesão no joelho. A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma lesão comum em atletas de futebol.

“O ligamento cruzado anterior (LCA) é responsável por estabilizar a articulação do joelho, principalmente em momentos de aceleração e desaceleração ou em movimentos de giro. Justamente por esse motivo, a lesão dessa estrutura é tão comum em esportes que exigem mudanças frequentes de posição, como o futebol, ocorrendo devido à torção do joelho. O mecanismo do trauma geralmente envolve a movimentação do joelho para dentro ao mesmo tempo em que a tíbia rotaciona para fora e o pé está preso ao chão”, explica Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

“Considerando a lesão do ligamento cruzado anterior, o tratamento é cirúrgico e o tempo médio de recuperação para o retorno à atividade competitiva recomendado gira em torno de 6 a 8 meses em média para que o atleta esteja recuperado”, completa o médico.

A lesão de Rodrygo Goes não é exclusiva de atletas

Não são apenas atletas profissionais, como Rodrygo Goes, que podem sofrer esse tipo de lesão. O problema também afeta esportistas amadores e até pessoas que não praticam atividades físicas, por exemplo, em casos de quedas. “Obesidade, fraqueza muscular, sobrecarga de treinos e idade avançada podem favorecer esse trauma”, diz o especialista. “Hipermobilidade articular, joelho valgo (para dentro) e lesões prévias do LCA também aumentam o risco.”

A lesão do ligamento cruzado anterior geralmente acompanha um estalo seguido por uma dor súbita no joelho. “Após o trauma, o paciente pode notar inchaço e redução da mobilidade. Além de instabilidade na região, com sensação de joelho frouxo e falhando”, afirma o médico. Ele alerta que a intensidade dos sintomas varia conforme a gravidade da lesão. Algumas pessoas conseguem realizar atividades normalmente, enquanto outras sentem dor até nos menores movimentos. “Na dúvida, o mais importante é sempre buscar auxílio médico ao suspeitar de uma possível lesão do LCA. Tanto para confirmar o diagnóstico quanto para verificar a ocorrência de outras lesões comumente associadas, como lesões do menisco e das cartilagens”, diz o ortopedista.

Como evitar?

Segundo Marcos, fazer aquecimento e alongamento antes da prática esportiva é um dos cuidados para prevenir a lesão do LCA. A prática de exercícios de fortalecimento e equilíbrio também ajuda, assim como o uso de calçados adequados ao exercício e ao terreno. Ele ainda recomenda evitar sobrecarga nos treinos e prestar atenção à fadiga muscular.

Tratamento

No entanto, uma vez que a lesão tenha ocorrido, o ortopedista poderá indicar o tratamento adequado, que, na grande maioria dos casos, exige intervenção cirúrgica. “Geralmente, não se indica o tratamento cirúrgico para pacientes idosos, sem lesões associadas, que não realizam atividade física e com a estabilidade do joelho preservada. Caso contrário, recomenda-se a cirurgia para reconstruir o ligamento rompido, já que possui baixa capacidade de cicatrização por si só”, diz o especialista. Ele também explica que a cirurgia é pouco invasiva, pois o médico a realiza por videoartroscopia e utiliza enxertos de tecidos, como tendões retirados do próprio paciente, para reconstruir o LCA. “Mas tão importante quanto a cirurgia é o processo de reabilitação pós-operatória, que, se realizada de maneira inadequada, pode comprometer o sucesso do tratamento. Esse processo envolve, principalmente, sessões de fisioterapia, com foco, inicialmente, na recuperação dos movimentos e, depois, no fortalecimento do ligamento.”

A boa notícia é que, hoje, com os avanços nas técnicas de cirurgia e reabilitação, grande parte dos pacientes consegue retornar à prática esportiva no mesmo nível de intensidade e performance, o que não acontecia antes, quando muitas carreiras eram encerradas por esse tipo de lesão. “Para isso, é fundamental que o tratamento seja adequado e o retorno seja gradual, de acordo com a velocidade de reabilitação do paciente e sempre com liberação do médico. O tempo necessário para que o atleta retorne as atividades pode variar de acordo com cada caso, mas é importante que esse processo não seja apressado, pois retornar precocemente à prática esportiva pode aumentar significativamente o risco de lesões no joelho”, finaliza Marcos Cortelazo.