Especialista alerta para os riscos de uso excessivo do sal no dia a dia
Consumir sal em excesso é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, responsáveis por cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil. Desse total, cerca de 46 mil estão associados ao consumo excessivo de sódio, segundo o Ministério da Saúde.
Apesar dos alertas, o consumo de sal segue acima do recomendado: estimativas indicam que adultos ingerem, em média, cerca de 8,5 gramas por dia, valor superior ao limite indicado pela Organização Mundial da Saúde.
De acordo com Marcio Sousa, cardiologista e chefe da seção de hipertensão arterial, tabagismo e nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, o impacto do sal no organismo está diretamente ligado ao aumento da pressão arterial. “O sódio atrai água para dentro dos vasos sanguíneos, elevando o volume de sangue circulante. Isso aumenta a pressão e sobrecarrega o coração, elevando o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca”, explica.
Como o sal em excesso afeta o corpo
O excesso de sódio faz o corpo reter água, o que pode causar inchaço, falta de ar e aumentar o risco de arritmias, pois, com mais líquido circulando nos vasos, a pressão arterial sobe, o que pode causar danos progressivos às artérias e órgãos como coração, cérebro e rins.
Com o tempo, esse processo favorece o acúmulo de placas de gordura, o endurecimento das artérias e o espessamento do músculo cardíaco, que passa a trabalhar sob maior esforço.
Qual é a quantidade ideal?
“A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é consumir menos de 5 gramas de sal por dia, o equivalente a cerca de uma colher de chá rasa, considerando todas as refeições ao longo do dia” destaca Marcio Sousa.
Ultrapassar esse limite está associado a um maior risco de:
- Hipertensão arterial;
- Infarto e AVC;
- Doença renal crônica;
- Insuficiência cardíaca;
- Retenção de líquidos e inchaço;
- Arteriosclerose.
O perigo do “sódio oculto”
Engana-se quem pensa que o maior problema está apenas no sal de cozinha. Segundo o especialista, o grande vilão é o chamado sódio oculto, presente em alimentos industrializados. “Hoje, mais de 70% do sódio consumido vem de produtos ultraprocessados, e muitas vezes o consumidor não percebe o quanto está ingerindo”, alerta.
Entre os alimentos com altas quantidades de sódio, estão:
- Pães industrializados;
- Embutidos, como presunto e peito de peru;
- Queijos amarelos;
- Molhos prontos;
- Sopas de pacote;
- Cereais, granolas e barras proteicas;
- Refrigerantes zero ou diet.
É possível reduzir o consumo?
“Sim. O paladar se adapta naturalmente à redução do sal. Em média, leva de três a oito semanas para que as papilas gustativas se ajustem. Após esse período, alimentos naturais passam a ter mais sabor, enquanto os industrializados tendem a parecer excessivamente salgados”, explica o médico.
Dicas práticas para consumir menos sal
Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer grande diferença:
- Prefira temperos naturais, como alho, cebola, ervas e especiarias;
- Leia os rótulos e escolha produtos com menor teor de sódio;
- Experimente os alimentos antes de adicionar sal;
- Substitua embutidos por opções mais naturais, como frango ou ovos.
Benefícios começam rápido
Reduzir o consumo de sal traz efeitos rápidos no organismo. “Em poucos dias ou semanas, já é possível notar redução do inchaço, melhora da pressão arterial, menos sensação de cansaço e até melhora na qualidade do sono”, afirma o especialista.
A redução do consumo de sal é uma das medidas mais eficazes, acessíveis e de maior impacto na prevenção de doenças cardiovasculares. “Menos sal é mais saúde. Escolher reduzir o consumo hoje é investir em mais qualidade e anos de vida no futuro”, finaliza Marcio Sousa.