Sedentarismo mental: é preciso exercitar o cérebro! Person sleeping on couch among glasses and bottles of liquor, feeling headache and hangover. Painful brain of drunk man. Vector illustration for booze problems, alcohol addiction, drunkard concept

A ideia de que “não se pode ensinar truque novo a cachorro velho” é uma crença profundamente enraizada, especialmente quando se trata da capacidade de aprender novas habilidades na idade adulta. “No entanto, essa visão ignora um dos princípios mais fundamentais da neurociência: a neuroplasticidade. Nosso cérebro é capaz de se reorganizar e formar novas conexões ao longo de toda a vida, o que significa que sempre podemos aprender e mudar, desde que ofereçamos ao cérebro os estímulos certos. O sedentarismo mental é ainda mais importante de se cuidar, pois vem antes do sedentarismo físico e afeta a saúde de forma prioritária”, afirma a neurocientista Bruna Dimantas.

Comodidade

O problema não é a falta de capacidade biológica, mas sim a complacência com o sedentarismo mental. À medida que envelhecemos, nos acomodamos em rotinas e padrões de pensamento que não desafiam o cérebro. Essa falta de estímulo cria a ilusão de que estamos “congelados” em nossas habilidades e comportamentos, quando, na verdade, o que ocorre é a resistência ao desconforto de sair da zona de conforto. “O sedentarismo mental impede a flexibilidade cognitiva, tornando a adaptação e a aprendizagem mais difíceis, mas não impossíveis”, completa.

Assim como o corpo precisa de movimento para se manter saudável, o cérebro precisa de desafios constantes para manter sua capacidade de adaptação e renovação. Enfrentar essa complacência é a chave para manter a mente ativa, engajada e capaz de aprender, independentemente da idade.

Quais os sinais do sedentarismo mental?

Os sinais de sedentarismo mental incluem a falta de curiosidade, resistência a novas ideias e dificuldade em sair da rotina. “A pessoa pode se sentir intelectualmente apática, com pouca motivação para aprender ou explorar coisas novas. Outras manifestações incluem a repetição de padrões de comportamento, pensamento rígido e uma baixa capacidade de resiliência quando confrontada com desafios ou mudanças. O desconforto com o desconhecido e a preferência pelo familiar indicam que o cérebro está se acomodando, tornando-se ‘sedentário’.”

Como combater o sedentarismo mental

Para combater o sedentarismo mental, é importante buscar atividades que desafiem o cérebro e incentivem a neuroplasticidade. Algumas sugestões de Bruna incluem:

  • Aprender algo novo: Seja uma língua, um instrumento musical ou até mesmo um hobby que exija concentração e aprendizado contínuo.
  • Exercícios cognitivos: Jogos de estratégia, quebra-cabeças, palavras cruzadas e outras atividades que estimulam o pensamento crítico.
  • Exercício físico regular: A atividade física melhora o funcionamento do cérebro e aumenta a capacidade cognitiva.
  • Leitura diversificada: Ler diferentes gêneros e autores para expandir horizontes e estimular o pensamento criativo.
  • Desafiar a zona de conforto: Aceitar novos desafios e se expor a experiências diferentes e desconfortáveis.
  • Focar no autoconhecimento: Compreender suas próprias limitações e fortalezas pode ajudar a traçar estratégias personalizadas para manter a mente engajada.
  • Reduzir o consumo passivo de tecnologia: Investir tempo em atividades que exijam envolvimento mental ativo, como conversas significativas ou resolução de problemas.

Influência

A tecnologia e o estilo de vida moderno, embora ofereçam muitas vantagens, também podem contribuir para o sedentarismo mental. “A facilidade de acesso a entretenimento passivo, como redes sociais e plataformas de streaming, diminui o incentivo para atividades cognitivamente desafiadoras. Além disso, os algoritmos de redes sociais tendem a reforçar nossas crenças e gostos, alimentando o cérebro com ‘mais do mesmo’, sem estimular novas perspectivas. A gratificação instantânea e o bombardeio constante de informações superficiais criam uma mente que busca distração e evita o esforço mental, agravando o sedentarismo”, destaca a neurocientista.