Vínculo familiar influencia aprendizagem, comportamento e saúde emocional de crianças e adolescentes
Dados divulgados recentemente pelo IBGE mostram que 39,7% dos adolescentes brasileiros afirmam sentir que os pais ou responsáveis não entendem suas preocupações. O levantamento também apontou avanço nos indicadores relacionados à saúde mental de crianças e adolescentes, com aumento de relatos de tristeza frequente, irritabilidade e sensação de desamparo entre os jovens.
Especialistas em educação e desenvolvimento infantil afirmam que os reflexos desse cenário já aparecem diretamente no ambiente escolar, com crescimento de dificuldades de concentração, insegurança emocional, irritabilidade, problemas de socialização e desinteresse pelos estudos.
O papel dos pais no desempenho escolar das crianças
A participação familiar deixou de ser apenas um complemento na educação e passou a exercer papel decisivo no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.
“A aprendizagem está diretamente ligada à segurança emocional. Quando a criança se sente acolhida, escutada e acompanhada pela família, ela desenvolve mais confiança, autonomia e interesse pelo aprendizado. Hoje, percebemos que muitas dificuldades escolares estão relacionadas também à qualidade das relações dentro de casa”, afirma Raquel Nazário, diretora da Maple Bear Brasília.
Pequenas atitudes
Segundo especialistas, o problema não está necessariamente no tempo que pais e filhos passam juntos, mas na qualidade dessa convivência. Atitudes simples, como conversar sobre a rotina, participar da vida escolar, criar momentos sem telas e demonstrar escuta ativa, podem contribuir significativamente para o desenvolvimento infantil.
Em meio ao aumento das discussões sobre saúde mental na infância e adolescência, escolas também têm buscado fortalecer a parceria com as famílias como forma de promover ambientes mais acolhedores e emocionalmente saudáveis.
“A escola não consegue atuar sozinha. O desenvolvimento infantil acontece de maneira muito mais consistente quando existe conexão entre família e ambiente escolar. Essa parceria impacta não apenas o desempenho acadêmico, mas também autoestima, comportamento e habilidades socioemocionais”, destaca Raquel.