O sono da criança deve ser reparador: ronco e pausas respiratórias podem prejudicar a disposição e até o rendimento escolar (Foto: Magnific)
Especialista diz que respiração bucal persistente pode estar ligada a obstruções nasais e alterações no crescimento da face
Ver uma criança dormindo de boca aberta ou respirando pela boca durante o dia pode parecer algo comum. Porém, quando esse hábito é frequente, é melhor prestar mais atenção. Isso porque, a respiração bucal persistente pode indicar dificuldade de passagem do ar pelo nariz. E essa condição pode estar relacionada a quadros, como rinite, aumento de adenoide, amígdalas aumentadas, desvio de septo, sinusites de repetição ou outras obstruções das vias aéreas superiores.
Segundo Gustavo Meirelles, otorrinolaringologista na Clínica Dolci, em São Paulo, respirar pela boca não deve ser encarado apenas como “mania” de criança. “A respiração nasal é importante para filtrar, aquecer e umidificar o ar. Quando a criança passa a respirar predominantemente pela boca, é preciso entender se existe alguma obstrução ou inflamação impedindo a respiração adequada pelo nariz”, explica.
Sinais da respiração bucal
Entre os sinais de alerta estão ronco frequente, sono agitado, baba no travesseiro, boca seca ao acordar, mau hálito, irritabilidade, sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, cansaço, voz anasalada e infecções de repetição. Em alguns casos, a criança também pode apresentar pausas respiratórias durante o sono, o que exige investigação.
“O sono da criança precisa ser reparador. Quando há ronco, respiração difícil ou pausas respiratórias, a qualidade do sono pode ser prejudicada, com reflexos no comportamento, na disposição e até no rendimento escolar”, esclarece o especialista.
A respiração bucal crônica também pode ter impacto sobre a fala, mastigação, deglutição, posicionamento da língua e desenvolvimento dentofacial, isto é, desenvolvimento dos dentes em relação às estruturas da face. Por isso, dependendo do caso, a avaliação pode envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo otorrinolaringologista, odontopediatra, ortodontista e fonoaudiólogo.
“Quando a criança mantém a boca aberta por longos períodos, há uma adaptação de musculatura, língua e postura oral. Com o tempo, isso pode interferir em funções como fala, mastigação e crescimento facial”, observa Meirelles. Ele reforça que o diagnóstico precoce melhora a resposta ao tratamento.
Como é o tratamento
O tratamento para a respiração bucal depende da origem do problema. Em alguns casos, pode envolver controle da rinite, lavagem nasal, medicamentos, acompanhamento fonoaudiológico, tratamento odontológico ou, quando indicado, cirurgia para adenoide ou amígdalas aumentadas.
“O ponto principal é não normalizar a criança que respira sempre pela boca. Se isso acontece durante o sono e também ao longo do dia, se há ronco ou dificuldade para respirar pelo nariz, é importante procurar avaliação especializada”, conclui o médico.