Elenco do núcleo de Lavra Seca, em Lá Na Minha Terra, comenta expectativas para a novela
“Será uma novela popular, que representará a vida de muitas brasileiras. Rosenda é uma mulher forte, tenho certeza de que o público vai se identificar”, refletiu Dira Paes, futura protagonista do folhetim das seis, que estreia em 9 de novembro. A atriz compartilhou suas percepções durante a segunda parte da coletiva de imprensa da novela, realizada no dia 22.

Escrita por Mário Teixeira, de Mar de Sertão (2022) e No Rancho Fundo (2024), Lá Na Minha Terra retrata uma saga “sertaneja, épica e trágica”, nas palavras de Dira. A trama acompanha Rosenda, uma mulher que, após passar 15 anos criando os filhos sozinha, descobre que seu marido, Severino (Daniel de Oliveira), não desapareceu: ele fugiu para São Paulo, onde enriqueceu, trocou de nome e casou-se com Ismália (Camila Morgado), uma mulher cruel.
A dor da ausência
Rosenda tem cinco filhos: Maria Lina (Arianne Botelho), Damaso (Miguel Rômulo), Dodô (Vicenthe Delgado), Brícia (Jessica Marques) e Águeda (Carol Pinheiro). Com o desaparecimento do pai, cada um lidou com a ausência de uma maneira diferente.
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Lina, por exemplo, era próxima dele e nunca perdeu a esperança de que ele estivesse vivo em algum lugar. Ela, porém, não imagina que foi abandonada. Já Damaso nunca aceitou a partida e se tornou um rapaz azedo, que precisou amadurecer cedo, embora esconda um lado sensível e dedicado.
“A novela será também sobre essa família se dando o direito de resposta diante do abandono, podendo finalmente seguir em frente”, resume Vicenthe. Seu personagem, Dodô, tornou-se retraído e manifesta toda a sua tristeza por meio do trabalho como artesão.
“Lidar com uma perda é uma coisa. Lidar com um ponto de interrogação é outra. É uma ausência que se torna presente” — Dira Paes
Um amor novo
Embora a novela trate de um tema tão doloroso quanto o abandono, é importante reforçar que ela não parte apenas desse viés: Lá Na Minha Terra é, especialmente, a história de uma mulher se redescobrindo. “A Rosenda é uma mãe que sacrificou as suas próprias individualidades em nome da família. Esse é um arquétipo de grande parte das brasileiras, da mãe solo que não tem escolha. É uma sociedade matriarcal onde as mulheres são o alicerce da família. Nesse sentido, a mulher fica esquecida”, explica a atriz.
Embora a decisão que mova a história seja a de Rosenda ir atrás do marido, no fundo, isso é mais sobre ela poder encerrar de vez essa história e seguir em frente do que sobre ele. E já há uma nova vida aguardando por ela, na figura de Almerindo (Mateus Solano), o fazendeiro mais rico de Lavra Seca. Ele se apaixonou por Rosenda anos atrás, mas respeita a vontade dela de entender o que houve com o marido. “Ele a ama, quer que ela seja feliz. E se fosse com ele, seria melhor, mas se não for, tudo bem. É um personagem diferente de tudo o que já fiz, que prova que o poder não precisa corromper”, reflete Mateus. “É um amor que aguenta o tempo, que atravessa, que existe muito mais do que o desejo. Isso é raro na construção de casal em novela”, conclui.