Saiba o que fazer para evitar infecções de pele nos dias quentes

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Estudos indicam que quase metade dos episódios de micose ocorre no verão; automedicação pode agravar quadro, alerta especialista

Sabia que o verão cria o ambiente ideal para o surgimento de infecções dermatológicas? A combinação de calor elevado, alta umidade, suor excessivo, uso prolongado de roupas apertadas ou de tecidos sintéticos, e a permanência com roupas de banho molhadas favorece a proliferação acelerada de micro-organismos, tornando as dobras do corpo, os pés e as áreas abafadas as regiões mais vulneráveis para o surgimento de micoses e infecções bacterianas.

Calor, umidade, suor e longa permanência com roupa molhada depois do contato com a água favorecem a proliferação de micro-organismos (Foto: FreePik)

Um estudo recente publicado no Jornal de Ciência Médica da Coreia do Sul (2024) analisou mais de 38 mil casos de infecções dermatológicas ao longo de dez anos (2014-2024) e comprovou que cerca de 42,7% dos episódios de micose ocorreram durante os meses mais quentes do ano. O dado reforça um alerta importante para esta época, marcada pelo uso frequente de piscinas, praias, academias e vestiários compartilhados.

Segundo o dermatologista Gustavo Novaes, fungos, como os dermatófitos e leveduras, como Candida albicans, prosperam em ambientes quentes e úmidos. Já bactérias, como Staphylococcus aureus, encontram-se na pele suada que, eventualmente lesionada, cria uma oportunidade para colonização e infecção.

Conheça as principais micoses

As micoses superficiais são as infecções mais frequentes nessa época de altas temperaturas. Entre as mais recorrentes, destacam-se:

>> Pé de atleta: comum em quem utiliza calçados fechados ou frequenta piscinas e academias. Causa coceira, descamação e fissuras nos pés;

>> Pano Branco: manifesta-se como manchas claras ou acastanhadas no tronco e pescoço que não bronzeiam, proliferando-se com a oleosidade e o suor;

>> Micose da virilha: forma placas avermelhadas e causa coceira intensa, sendo agravada pelo uso de roupas apertadas e atividade física;

>> Candidíase de dobra: muito comum em idosos e diabéticos, afeta áreas como axilas e regiões inframamárias (abaixo das mamas), apresentando vermelhidão intensa e lesões satélites.

Infecções bacterianas

Além dos fungos, as bactérias também tendem a se multiplicar no calor. As infecções bacterianas mais comuns incluem a foliculite, que causa erupções parecidas com “espinhas” em áreas de atrito como coxas e glúteos, e o eritrasma, que provoca manchas nas dobras do corpo. Outro ponto de atenção é o intertrigo bacteriano, que pode ser confundido com micose, mas apresenta odor desagradável e secreção.

O perigo da automedicação

Ao notar qualquer alteração, como manchas, coceira ou pus, é fundamental procurar um dermatologista. Nem toda lesão que coça é micose, e o uso de pomadas inadequadas pode agravar o quadro.

Infecções mal tratadas podem servir de porta de entrada para complicações mais graves, como a celulite infecciosa. Além disso, a automedicação com antifúngicos é ineficaz quando o problema é de origem bacteriana e pode até piorar o quadro infeccioso, o que reforça a necessidade de um diagnóstico médico preciso.

Para Gustavo Novaes, o principal risco da automedicação é o erro diagnóstico e, no verão, é um dos fatores que mais transformam quadros simples em infecções mais extensas. “Muitas infecções bacterianas são confundidas com micoses, e vice-versa. Quando um paciente usa antifúngico em uma infecção bacteriana, a doença não melhora e o quadro pode evoluir”, adverte o especialista. Outro risco é mascaramento temporário da inflamação, com o consequente atraso terapêutico, o que aumenta o risco de complicações.

Mais um ponto importante é o uso de cremes combinados (antifúngico + corticoide), que podem modificar o aspecto da lesão e dificultar o diagnóstico posterior. Em micoses, o corticoide pode levar à chamada “tínea incognito”, alterando morfologia e favorecendo a disseminação.

Barreira imunológica

O médico menciona que a pele é nossa principal barreira imunológica. Desse modo, quando essa barreira é rompida, o caminho fica aberto para bactérias penetrarem mais profundamente no organismo. “Em pacientes com diabetes, imunossupressão ou doenças crônicas, o risco é ainda maior”, explica Gustavo Novaes.

Anote os cuidados básicos

Para aproveitar a temporada de verão sem complicações, anote essas medidas medidas simples de higiene:

1 – Mantenha a pele seca: seque bem as dobras do corpo e entre os dedos após o banho. Sempre tome banho após suor excessivo;

2 – Troque roupas úmidas: evite permanecer por muito tempo com biquínis, sungas ou roupas suadas;

3 – Use tecidos leves: dê preferência ao algodão ou tecidos tecnológicos, que permitem a transpiração da pele;

4 – Mais atenção em locais públicos: use chinelos em vestiários e chuveiros de praia. Não compartilhe objetos pessoais como toalhas, lâminas, roupas íntimas e maquiagem;

5 – Foco em lesões pequenas: arranhões, escoriações e picadas devem ser higienizadas. Hidratação ajuda a preservar a barreira cutânea.

Edição: Fernanda Villas Bôas