Ginecologista explica que excesso de sabonetes, perfumes e duchas pode desequilibrar a flora vaginal em vez de protegê-la
Bucha, sabonete íntimo, lenços perfumados, desodorante específico, produto para antes, durante e depois da menstruação — a lista de itens vendidos para a “higiene íntima” só cresce, e é fácil acreditar que quanto mais produtos usados, melhor é o cuidado com o corpo. Mas, segundo a ginecologista Dra. Camila Bolonhezi, do Instituto Macabi, essa lógica não corresponde à forma como a saúde íntima realmente funciona.

“Será que a saúde íntima precisa mesmo de todos esses apetrechos? Na verdade, é meio mito achar que quanto maior a quantidade de produtos, melhor a gente está cuidando da nossa saúde íntima”, afirma.
De acordo com a médica, a vulva e a vagina possuem mecanismos próprios de proteção e não dependem de rotinas elaboradas de skincare para se manterem saudáveis. “O que tenta se vender hoje é que a vulva e a vagina também precisam de um skincare, mas não é assim que funciona. A vulva não precisa de perfume para ser saudável. A vagina não precisa de produtos específicos para ficar limpa”, explica.
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A vagina abriga uma microbiota própria — a chamada flora vaginal —, responsável por mantê-la equilibrada e saudável. “A vagina tem uma microbiota própria, que é conhecida como flora vaginal, que mantém ela saudável. A gente costuma falar que ela é autolimpante”, diz a ginecologista.
É justamente esse equilíbrio natural que pode se comprometer pelo uso excessivo de produtos, fragrâncias ou pela prática de duchas internas. “Essa flora vaginal que todo mundo tem funciona como uma barreira natural contra infecções, contra bactérias, fungos, então ela deve ser preservada”, ressalta. Segundo a médica, a higiene íntima deve se limitar à parte externa: “A higiene da saúde íntima é apenas por fora, na vulva, e quanto menor a quantidade de perfumes e produtos, menor a chance de algum evento adverso.”
Perigos para a saúde íntima
Quando esse cuidado é substituído por rotinas com múltiplos produtos — buchas, sabonetes diferentes e duchas vaginais —, o risco é o oposto do pretendido: em vez de proteger, a prática pode favorecer irritações, ressecamento, alterações no odor e quadros de disbiose vaginal, condição que também pode se manifestar sem sintomas aparentes.
A discussão reforça um ponto central sobre saúde íntima: mais produtos não significa mais cuidado. Entender os limites da higiene externa e respeitar o equilíbrio natural do organismo é o que, de fato, protege — e evita que uma tentativa de cuidado se transforme em desequilíbrio.