Explicação para a deficiência crônica do nutriente pode estar na genética
Praticamente todo mundo já ouviu falar da importância de tomar sol para garantir níveis adequados de vitamina D. Esse nutriente desempenha funções essenciais no organismo, como a absorção de cálcio, ação antioxidante e anti-inflamatória, além da manutenção da saúde óssea e muscular. A Organização Mundial da Saúde recomenda cerca de 15 a 30 minutos de exposição direta à luz solar, preferencialmente pela manhã ou no final da tarde.
Entretanto, embora até 90% da vitamina possa ser produzida pelo corpo após a exposição ao sol, níveis insuficientes ainda são comuns — e a causa pode estar relacionada à genética, como explica Ricardo Di Lazzaro, médico, doutor em genética e fundador da Genera. “Variantes em genes como CYP2R1 e DHCR7, que participam das etapas de síntese e ativação da vitamina, podem reduzir a capa-
cidade de produção endógena do nutriente. Além disso, alterações no gene VDR, responsável por codificar o receptor da vitamina D, podem afetar a forma como o organismo a utiliza.”
Até os brasileiros sofrem com deficiência de vitamina D
Estudos globais mostram que a deficiência de vitamina D continua sendo um problema de saúde pública em diversas regiões. Com, inclusive, uma parcela significativa da população apresentando níveis abaixo do ideal para manter funções fisiológicas adequadas. Pesquisas recentes indicam que muitos brasileiros também apresentam deficiência ou insuficiência, mesmo vivendo em um país ensolarado.
Um estudo epidemiológico multicêntrico realizado pela Fiocruz Bahia revelou que, entre adultos saudáveis, 15,3% tinham deficiência e 50,9% insuficiência de vitamina D, mesmo durante o verão em cidades como São Paulo, Salvador e Curitiba. “Apesar de vivermos em um país com alta disponibilidade de luz solar, fatores como estilo de vida urbano, hábitos que limitam a exposição à luz natural e pre-
disposição genética influenciam fortemente os níveis de vitamina D”, observa Di Lazzaro. “Entender essa interação entre genes e ambiente é fundamental para orientar estratégias de prevenção e tratamento individualizadas.”
Além disso, uma análise integrada de diferentes pesquisas no Brasil apontou que quase um terço da população pode apresentar níveis séricos inadequados de vitamina D. Com prevalência ainda maior em idosos e em regiões com menor exposição ao sol em determinadas épocas do ano.
Reconheça os sintomas da deficiência de vitamina D
Em algumas pessoas, a deficiência de vitamina D não apresenta sinais evidentes, o que reforça a importância de verificar seus níveis em um check-up anual. Entre os possíveis sintomas estão:
- Dores ósseas e musculares: sensação de fraqueza, sobretudo na região da cintura, das costas e do pescoço, acompanhada de dores persistentes.
- Alterações nos ossos: raquitismo (ossos frágeis) em crianças e osteomalácia ou osteoporose em
adultos. - Quedas e fraturas recorrentes: risco aumentado em razão da debilidade muscular.
- Redução da imunidade: maior propensão a infecções, especialmente as respiratórias.
- Mudanças de humor: relacionadas a episódios de depressão.
Procure um médico!
A deficiência de vitamina D está associada a riscos clínicos relevantes, como comprometimento da saúde óssea, maior propensão a fraturas e impacto na função muscular, além de potenciais efeitos sobre o sistema imunológico. Em idosos, por exemplo, déficits significativos de vitamina D têm sido relacionados a maior risco de perda de mobilidade ao longo do tempo. “Diagnosticar e tratar a deficiência de vitamina D não deve ser feito de forma genérica. O acompanhamento médico ou nutricional é essencial para identificar se a causa é genética, ambiental ou ambas, e para definir um plano de ação personalizado”, conclui Ricardo Di Lazzaro.