Especialistas explicam quais fatores influenciam as chances de gravidez na primeira tentativa de fertilização in vitro
A chance de sucesso de gravidez na primeira tentativa de FIV depende de vários fatores — principalmente da idade da mulher, da qualidade dos óvulos e embriões, da reserva ovariana e da causa da infertilidade.
Segundo esclarece o o ginecologista especialista em reprodução humana Roberto Antunes, diretor médico da FERTIPRAXIS (RJ), de forma geral, mulheres mais jovens apresentam maiores taxas de gravidez por transferência embrionária. “Em pacientes abaixo dos 35 anos, as taxas podem frequentemente ultrapassar 50–60% por transferência em muitos centros especializados. Com o avanço da idade, especialmente após os 38–40 anos, essas chances tendem a diminuir progressivamente, principalmente devido ao aumento da taxa de alterações cromossômicas nos embriões”, explica.
O médico complementa que a realização do PGT-A (teste genético pré-implantacional para aneuploidias) pode ajudar na seleção de embriões cromossomicamente normais, reduzindo o risco de transferência de embriões aneuploides e diminuindo taxas de aborto em grupos selecionados.
Segundo o especialista, estudos demonstram que a transferência de embriões euploides pode alcançar taxas elevadas de implantação e gravidez clínica, independentemente da idade materna.
“Por outro lado, é importante esclarecer que o PGT-A não “cria” embriões saudáveis nem aumenta a qualidade embrionária. Seu principal papel é identificar embriões com maior potencial de implantação dentro dos embriões já disponíveis. Em mulheres jovens, com bom prognóstico, muitos estudos mostram resultados cumulativos semelhantes com ou sem PGT-A ao longo do tratamento”, afirma.
O que influencia as chances de gravidez?
Para o médico, os casais devem encarar a FIV como um processo. Segundo ele, muitas vezes o sucesso não depende apenas da primeira transferência, mas da estratégia individualizada que a equipe médica define para cada casal.
“Hoje, graças à evolução dos laboratórios, ao cultivo embrionário avançado, à vitrificação e aos avanços da medicina reprodutiva, as taxas de sucesso são muito superiores às observadas há duas décadas — mas ainda não existe garantia absoluta de gravidez em uma única tentativa”, reitera.
Como é o processo de FIV?
O procedimento é um método de reprodução assistida denominado de alta complexidade, no qual a fertilização do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório em vez de na trompa da mulher. Por ocorrer fora do corpo feminino, denomina-se “in vitro”.
Segundo a ginecologista e especialista em reprodução humana, Maria do Carmo Borges de Souza, também diretora médica da FERTIPRAXIS (RJ), as indicações de FIV são para:
- Mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- Mulheres com endometriose;
- Mulheres acima de 35 anos;
- Mulheres com trompas ou tubas obstruídas;
- Produção independente feminina;
- Casal homoafetivo;
- Fator masculino grave;
- Homens que fizeram vasectomia;
- Pacientes que precisam fazer análise genética para evitar síndromes hereditárias na prole.
Passo a passo para a fertilização in vitro (FIV)
Seis etapas que duram em média três semanas compõe a fertilização in vitro
Estimulação ovariana
“Nessa fase, a mulher recebe uma dose personalizada de medicamentos para estimular a produção de folículos e a maturação do maior número possível de óvulos. Esse período é acompanhado por ultrassonografias para avaliação das doses de medicamentos e ajustes e leva em média de 8 a 12 dias”, explica Maria do Carmo, que também é membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), da qual já foi presidente.
Coleta de gametas
Ao ser desencadeada a ovulação, a coleta dos óvulos vai ocorrer entre 35 e 36h. Com uma agulha fina acoplada a um ultrassom, o médico faz a aspiração dos folículos no ovário da mulher.
“O procedimento, realizado dentro da clínica e com sedação, leva cerca de 15 minutos. O material coletado segue para o laboratório da clínica para avaliação e seleção. A equipe médica utilizará apenas os óvulos maduros na FIV. No mesmo dia, o homem realiza a coleta dos espermatozoides por meio da masturbação. O sêmen também segue para o laboratório para seleção dos melhores”, complementa a médica.
Fertilização dos gametas
Nessa etapa, a fertilização pode ocorrer de duas maneiras:
FIV clássica: são colocados, um óvulo para cada de 100-150 mil espermatozoides em cada placa, deixadas em uma incubadora por um período determinado para que a fecundação ocorra naturalmente.
FIV com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI): consiste na injeção de um único espermatozoide pré-selecionado dentro de cada óvulo. A técnica de ICSI, embora originalmente utilizada apenas para os casos de fator masculino grave, atualmente é disseminada e utilizada prioritariamente na maior parte dos serviços por melhores taxas de fertilização dos óvulos.
“Na Fertipraxis utilizamos apenas a técnica de ICSI. Os óvulos fertilizados são transferidos para a incubadora”, diz Maria do Carmo.
Cultivo dos embriões
No dia seguinte à fertilização, os embriologistas avaliam se houve a formação de embriões e eles são classificados por sua morfologia e divisão celular. Assim, é possível avaliar quais teriam a melhor probabilidade de se desenvolverem no útero da mulher após a transferência.
Transferência do embrião
Após cerca de 2 a 5 dias, de acordo com o estágio de amadurecimento, o médico transfere o embrião para o útero da mulher por meio de uma fina cânula. O procedimento é rápido e feito com o auxílio de um ultrassom para verificar o local correto de depósito. “Para reduzir o risco de gravidez múltipla, os médicos transferem, atualmente, até dois embriões por procedimento de FIV”, explica a médica.
Maria do Carmo finaliza dizendo que a fertilização in vitro/ICSI é o procedimento de reprodução assistida com as melhores taxas de sucesso. “As quais chegam a cerca de 50-60% nos melhores casos”, finaliza.