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Após o fim do relacionamento com Arlindinho, motivado por uma suposta traição, atriz desabafa nas redes sociais e reacende reflexões sobre como grandes decepções podem transformar a forma de enxergar o amor
“Bom dia, gente. Depois da lama que me colocaram, estou eu aqui emergindo…” Foi assim que Erika Januza iniciou um vídeo publicado nas redes sociais após o fim de seu relacionamento com o cantor Arlindinho. Além de agradecer o carinho recebido do público, uma frase em especial chamou atenção: “A partir de agora, se perguntarem o que é o amor pra mim, eu não sei responder. Não sei explicar mais. Quem sabe um dia…”
O desabafo aconteceu dias depois da repercussão envolvendo o término do casal, motivado por uma suposta traição após o vazamento de imagens que colocaram o cantor no centro de uma polêmica. Desde então, a atriz recebeu uma onda de mensagens de apoio de fãs e colegas, enquanto sua fala repercutiu justamente por traduzir um sentimento que muitas pessoas experimentam após uma grande decepção amorosa.
Mais do que a dor causada pelo fim de um relacionamento, frases como essa revelam um impacto emocional profundo: a sensação de que o amor deixou de fazer sentido. Depois de viver uma traição, não é raro que a pessoa passe a questionar tudo aquilo em que acreditava, duvide da própria capacidade de confiar novamente e até conclua que nunca mais conseguirá viver um relacionamento saudável.
Quebra de expectativa
Embora esse sentimento seja intenso, especialistas afirmam que ele costuma fazer parte do processo de elaboração da perda. Quando uma relação termina de forma dolorosa, principalmente após a quebra de confiança, é comum que a pessoa não perca apenas o parceiro, mas também os planos, as expectativas e a segurança emocional que havia construído ao longo da relação.
Para Henri Fesa, Médium especialista em relacionamentos, esse tipo de reação é mais comum do que parece. “Depois de uma traição, muitas pessoas não deixam de acreditar apenas no parceiro. Elas passam a questionar o próprio amor. Surge a sensação de que tudo o que viveram foi uma mentira e, por isso, concluem que talvez o amor nem exista da forma como imaginavam. É um sentimento compreensível diante da dor, mas que não representa necessariamente a realidade”, explica.
Segundo o especialista, esse momento costuma ser marcado por uma mistura de tristeza, frustração e perda de confiança. “Quando alguém quebra nossa confiança, a tendência é generalizar essa experiência. A pessoa deixa de enxergar aquele episódio como algo vivido com um indivíduo específico e passa a acreditar que todos os relacionamentos terminarão da mesma forma. É um mecanismo de proteção emocional, mas que pode impedir novos vínculos se permanecer por muito tempo”, afirma.
A cura é um processo
Henri explica que, durante esse processo, também é comum perder a referência sobre o próprio significado do amor. “O sofrimento faz com que a pessoa associe amor à dor, à mentira e ao abandono. Mas essas experiências não definem o amor; elas definem uma relação que não deu certo. São coisas diferentes. Quando conseguimos separar uma experiência daquilo que acreditamos sobre o amor, começamos a abrir espaço para a cura”.
Outro ponto importante, segundo ele, é não transformar a decepção em identidade. “Existe uma diferença entre estar desacreditado naquele momento e decidir que nunca mais será possível confiar em alguém. Toda grande frustração precisa de tempo para ser elaborada. Tomar decisões definitivas enquanto a ferida ainda está aberta costuma prolongar o sofrimento”.
Henri também destaca que reconstruir a confiança não significa esquecer o que aconteceu ou fingir que a dor não existiu. O processo envolve compreender os próprios sentimentos, respeitar o tempo da recuperação emocional e evitar que uma única experiência determine todas as relações futuras. “A traição machuca porque rompe expectativas e abala a confiança, mas ela não define o valor de quem foi traído nem determina como serão os próximos relacionamentos. Quando a pessoa consegue ressignificar essa experiência, ela volta a perceber que o amor continua existindo, mesmo que naquele momento ainda seja difícil enxergá-lo”, diz.
Ninguém deixa de acreditar no amor de um dia para o outro. O que acontece é que a dor ocupa tanto espaço que ela impede a pessoa de enxergar outras possibilidades. “Com o tempo, acolhimento e elaboração emocional, esse sentimento costuma dar lugar a uma visão mais madura sobre o amor e sobre si mesma”, finaliza Henri.