Raquel Villar vive novo desafio em Emergência 53

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Após trabalho em Dom, Raquel Villar estreia em Emergência 53 e aposta em novos desafios

Há personagens que chegam para marcar uma carreira, enquanto outros ajudam a abrir novos caminhos. Raquel Villar parece viver os dois movimentos ao mesmo tempo. Depois de interpretar Jasmin em Dom, a atriz se prepara para novos desafios em trabalhos que passam por diferentes universos e exigem dela outras formas de se colocar em cena.

Foto: Laura Campanella
Foto: Laura Campanella

Um desses trabalhos é o mais novo sucesso do Globoplay, Emergência 53, onde ela interpreta Vanessa, uma enfermeira socorrista que também atua como instrumentadora cirúrgica e cursa medicina. “Ela parece andar bem em meio ao caos, tem muita força de vontade para se organizar e é focada. Ela é a melhor enfermeira da Unidade 53 e, se um dia se formar médica, vai ser uma médica com o trunfo de ter sido uma grande enfermeira e de ter vivido a perspectiva da enfermagem”, analisa a atriz.

Preparo intenso para Emergência 53

Como a série se passa dentro de um ambiente de emergência médica, que costuma ser bem intenso, Raquel conta que o elenco teve momentos de preparação em conjunto para entender o que era uma base de atendimento de urgência móvel. “Fomos a uma base do SAMU, acompanhamos um dia de trabalho lá e também tivemos noções básicas de primeiros socorros”, diz.

O elenco também teve um estudo mais focado nos personagens individualmente para aprofundar ainda mais as histórias. “A Vanessa, por exemplo, tem cenas em que faz uma cirurgia, exercendo o papel de uma cirurgiã, e tem outra em que está instrumentando. Então eram questões mais específicas da personagem, com as quais eu tive que me familiarizar.”

Raquel ainda confessa que teve uma ajuda extra para se preparar para a personagem. “Minha mãe também é instrumentadora cirúrgica, assim como a Vanessa, então pedi para estar ao lado dela em algumas cirurgias. Tive o presente de poder vê-la de perto, exercendo a profissão e me mostrando tudo. Fiquei muito orgulhosa dela e da profissional que ela é”, afirma. Além da mãe, a atriz tem algumas mulheres na família que são enfermeiras, parteiras e cuidadora de idosos. “São tantas histórias que eu cresci ou vivenciando ou ouvindo delas sobre o dia a dia da profissão”, conta.

Marcou

Uma das personagens que mais marcou sua carreira e coração é Jasmin, da série de sucesso do Prime Video, Dom. O trabalho, inclusive, lhe rendeu indicações ao Prêmio Platino Ibero-Americano de Melhor Atriz Coadjuvante e ao SEC Awards de Melhor Atriz em Série Nacional. “A Jasmin veio em um momento um tanto decisivo para mim, pois eu morava em Berlim na época e estava só de passagem pelo Rio de Janeiro”, revela a atriz, que voltou a morar no Brasil após cinco anos na Alemanha.

Raquel também entende a importância desse papel em ajudá-la a entender a forma brasileira de trabalhar, até porque já tinha se acostumado com o formato europeu da indústria artística e audiovisual. “Então foi também um processo de entendimento de como eu quero construir o meu trabalho, do que eu achava interessante dessa outra cultura que eu poderia trazer para cá, na atuação e na forma de trabalho também, o que fazia sentido para mim aqui e o que não fazia.”

Mais um desafio

A atriz também irá integrar o elenco da sétima temporada de Impuros, do Disney+, mas, infelizmente, teremos que ficar contando os dias para o lançamento para saber mais sobre seu papel. “Não posso contar muito. Minha personagem e o de Bruno Gagliasso estão muito ligados. Vocês vão acompanhar um momento da vida dela em que ela está no fundo do poço. É uma personagem que está destruída por dentro, e não é aquela coisa, ‘oh, tadinha’, chorosa. Está mais para como se ela já não tivesse a própria alma. É uma personagem arrasada.”

Além disso, entrar em uma série que já tinha seis temporadas pode parecer assustador para muitos artistas, mas Raquel tirou de letra, como sempre. “É como entrar numa festa que já está rolando há tempo, mas ainda está no auge. Foi só alegria! Tive parceiros de cena incríveis, a direção me deixou à vontade, tivemos muita troca e eu tive muita abertura para criar.”

Mais um lançamento

Como se não bastasse todo esse sucesso, Raquel também está no filme Uma Baleia Pode Ser Dilacerada como uma Escola de Samba, que chegou ao Première Brasil do Festival do Rio. “Esse filme é um grande experimento. Para começar, ele tem uma proposta de poder ser dividido em blocos, ou em alas, como uma escola de samba, e cada ala pode ser vista de forma individual. A ideia é levar o filme para a área das artes plásticas também. O filme é todo composto por obras de arte de artistas plásticos brasileiros contemporâneos, como o Mulambo e Sallisa Rosa”, afirma.

Experiência internacional

Raquel construiu uma trajetória que passa pelo teatro, cinema, televisão, streaming e até por produções internacionais, além da sua vivência em Berlim. Para ela, foi tudo isso que a motivou a voltar para o Brasil. “Eu queria saber quem eu tinha me tornado depois de tantos anos fora, como essa outra pessoa, que eu mesma fui construindo, ia caminhar aqui. Como eu ia pensar agora aqui, neste lugar tão íntimo que é a minha cidade natal. Então voltar era também encontrar tudo aquilo que eu já não sou mais, sendo uma pessoa diferente, no lugar de onde eu vim. É um caldeirão dentro de mim, cheio de memórias que não necessariamente falam a mesma língua ou têm a mesma cor, mas são todas parte de mim.”

Agora, com uma carreira tão movimentada e cheia de personagens profundos, Raquel está focada em encontrar papéis que a possibilitem fazer coisas diferentes e contar histórias que ainda não contou, sem preferências. “Mas, eu confesso que tenho estilos que eu gostaria de fazer mais, como Contra a Parede, do diretor alemão-turco Fatih Akin. Algo mais punk”, conclui.