Especialista da JK Estética Avançada explica como identificar a doença, que pode provocar pele seca, lesões e crises recorrentes
Coceira persistente, pele extremamente seca, vermelhidão e lesões que aparecem repetidamente podem ser sinais de dermatite atópica, uma doença inflamatória crônica da pele que ainda pode ser confundida com alergias passageiras ou simples ressecamento.

A condição não é contagiosa e pode surgir em diferentes fases da vida. Segundo informações do Ministério da Saúde, a dermatite atópica tem caráter crônico e hereditário e costuma aparecer em famílias nas quais também há histórico de outras condições atópicas, como asma e rinite alérgica.
Atenção com o corpo
Para Patrícia Janiuzelli Cobianchi, dermatologista da JK Estética Avançada, um dos pontos importantes é observar quando aquilo que parece apenas uma pele ressecada começa a se tornar recorrente.
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“Pele seca isoladamente é bastante comum, mas quando esse ressecamento vem acompanhado de coceira intensa, vermelhidão, descamação ou lesões que melhoram e depois retornam, é importante investigar. Muitas pessoas passam bastante tempo tratando apenas o sintoma, acreditando que trocar o hidratante será suficiente, quando pode existir uma doença inflamatória por trás daquele quadro”, explica.
A coceira é uma das principais características da doença. O problema é que o ato de coçar pode provocar ferimentos e agravar o quadro, criando um ciclo de coceira, lesão e nova irritação. Em alguns casos, as feridas também podem favorecer infecções.
A localização das lesões pode variar conforme a idade. Em bebês e crianças pequenas, elas podem aparecer principalmente no rosto, cotovelos e joelhos. Já em crianças maiores e adultos, são frequentes em regiões de dobra, como pescoço, parte interna dos cotovelos e atrás dos joelhos, além de mãos e tornozelos.
Outro dado chama atenção para a importância da identificação precoce. Informações divulgadas pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco apontam que aproximadamente 80% dos casos se manifestam nos primeiros cinco anos de vida, embora a doença também possa persistir ou estar presente na fase adulta.
Estresse pode piorar a dermatite?
Embora muitas pessoas associem o surgimento das lesões exclusivamente a uma alergia, diferentes fatores podem desencadear ou agravar crises.
Predisposição genética e fatores ambientais fazem parte dessa relação. Mudanças climáticas, poluição e contato com determinados produtos também podem interferir nas manifestações da doença.
O próprio estresse pode funcionar como um dos fatores associados às crises em algumas pessoas, mas isso não significa que a dermatite atópica seja simplesmente uma doença emocional.
“O estresse não é a causa da dermatite atópica, mas pode contribuir para a piora das crises. Existe uma interação entre sistema nervoso, sistema imunológico e pele. Em períodos de maior estresse, algumas pessoas percebem aumento da coceira e das lesões. E existe ainda um ciclo complicado. A pessoa coça, dorme mal por causa da coceira, fica mais irritada e estressada e isso pode dificultar ainda mais o controle da doença.”
Na rotina dos pacientes atendidos na JK Estética Avançada, a avaliação dermatológica também permite diferenciar a dermatite atópica de outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes. Isso é importante porque coceira, vermelhidão e descamação não são exclusivas da doença.
Banho quente pode piorar o quadro
Alguns hábitos cotidianos também merecem atenção. O Ministério da Saúde recomenda cuidados como hidratação diária da pele, preferência por roupas de algodão ou tecidos macios e banhos com água morna. Produtos de higiene suaves também podem ser indicados para evitar agressões adicionais à barreira da pele.
Após o banho, a orientação é secar a pele sem esfregar e aplicar hidratante enquanto ela ainda mantém umidade.
“Banhos muito quentes e demorados retiram parte da proteção natural da pele e podem aumentar o ressecamento e a coceira. Outro erro é esperar a pele ficar muito seca para começar a hidratar. Para quem tem dermatite atópica, a hidratação precisa fazer parte da rotina, inclusive nos períodos em que não existem lesões aparentes. Manter a barreira cutânea protegida é uma parte importante do controle da doença”, orienta a dermatologista da JK Estética Avançada.
Tratamento
Não existe um único tratamento indicado para todos os pacientes. A abordagem depende de fatores como idade, localização das lesões, frequência das crises e gravidade da doença. Casos mais leves podem exigir principalmente cuidados com a barreira cutânea e tratamentos tópicos, enquanto quadros moderados ou graves podem demandar outras terapias sob acompanhamento médico.
O tratamento da doença no Brasil também passou por atualizações recentes. Em novembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou uma nova versão do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, documento nacional que estabelece parâmetros para diagnóstico, acompanhamento e tratamento.
Para a médica da JK Estética Avançada, reconhecer que as crises recorrentes não são apenas uma característica natural da pele é um passo importante para buscar avaliação.
“Dermatite atópica é uma doença crônica, mas isso não significa que o paciente precise conviver constantemente com coceira, feridas e desconforto. Hoje temos diferentes possibilidades de tratamento e conseguimos estabelecer estratégias de acordo com a gravidade e as características de cada caso. O acompanhamento dermatológico também ajuda o paciente a entender os próprios gatilhos e a cuidar da pele entre as crises, o que tem impacto direto na qualidade de vida.”