Especialista explica como funciona a técnica e quando ela pode ser indicada
O congelamento de óvulos tem ganhado cada vez mais espaço entre mulheres que desejam planejar a maternidade para o futuro. A técnica permite preservar óvulos para que possam ser utilizados posteriormente em um tratamento de reprodução assistida.

Mudanças profissionais, busca por estabilidade financeira, ausência de um parceiro, projetos pessoais ou simplesmente o desejo de adiar a maternidade estão entre os motivos que levam mulheres a considerar a preservação da fertilidade.
Segundo o especialista em reprodução humana Alfonso Massaguer, diretor clínico da Clínica Mãe, o congelamento não interrompe o envelhecimento reprodutivo da mulher, mas permite preservar os óvulos com as características da idade em que foram coletados.
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“Quando falamos em congelamento de óvulos, um dos pontos mais importantes é a idade da mulher no momento da coleta. O procedimento permite guardar óvulos mais jovens para uma eventual tentativa de gravidez no futuro. Por isso, planejamento e avaliação individualizada fazem toda a diferença”, explica Alfonso.
Como funciona o congelamento de óvulos?
O tratamento começa com uma avaliação da saúde reprodutiva da paciente, que pode incluir exames hormonais e ultrassonografia para estimar a reserva ovariana.
Em seguida, é realizada a estimulação ovariana com medicamentos hormonais. Durante esse período, o desenvolvimento dos folículos é acompanhado pelo médico por meio de exames. Quando eles atingem o estágio adequado, é programada a coleta dos óvulos.
O procedimento de captação é realizado sob sedação e, posteriormente, os óvulos maduros são encaminhados ao laboratório.
Uma das técnicas utilizadas atualmente é a vitrificação, método de congelamento ultrarrápido que reduz a formação de cristais de gelo. Os óvulos são armazenados em nitrogênio líquido, a aproximadamente -196 °C, até o momento em que a paciente decidir utilizá-los.
“Hoje temos técnicas laboratoriais muito avançadas. A vitrificação trouxe resultados importantes para a preservação da fertilidade e apresenta altas taxas de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento”, afirma o especialista.
Existe idade ideal para congelar?
A idade é um dos principais fatores relacionados à quantidade e à qualidade dos óvulos. Com o avanço da idade reprodutiva, principalmente após os 35 anos, ocorre uma redução progressiva da reserva ovariana e da qualidade dos gametas.
Por isso, quando o objetivo é preservar a fertilidade por razões pessoais e não existe uma indicação médica que exija urgência, realizar o planejamento mais cedo pode ampliar as possibilidades futuras.
“Não existe uma idade única que sirva para todas as mulheres. Cada paciente tem uma história e uma reserva ovariana diferente. Mas sabemos que, biologicamente, quanto mais jovem for o óvulo no momento do congelamento, melhores tendem a ser as perspectivas reprodutivas relacionadas à idade”, destaca.
O especialista ressalta, entretanto, que congelar óvulos não representa garantia de gravidez futura. O resultado depende de diversos fatores, entre eles a idade no momento da coleta, a quantidade e a qualidade dos óvulos obtidos, as condições de saúde da paciente e as etapas posteriores do tratamento.
O que acontece quando a mulher decide engravidar?
Quando chega o momento de tentar uma gestação, os óvulos podem ser descongelados e utilizados em um tratamento de fertilização in vitro (FIV). Após a fertilização em laboratório e o desenvolvimento embrionário, o embrião pode ser transferido para o útero.
Mesmo com óvulos congelados mais jovens, a idade e as condições clínicas da mulher no momento da gestação continuam sendo importantes e precisam ser avaliadas pela equipe médica.
“O congelamento de óvulos deve ser encarado como uma ferramenta de planejamento reprodutivo. Ele amplia possibilidades, mas não deve ser apresentado como uma promessa de maternidade. Informação adequada é fundamental para que a mulher possa tomar sua decisão de maneira consciente”, conclui Alfonso.