Tomar remédios sem água pode causar lesões graves no esôfago

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Hábito comum pode favorecer a esofagite medicamentosa e provocar dor, dificuldade para engolir e outras complicações

Engolir remédios sem água é um hábito comum para muitas pessoas, seja pela correria do dia a dia ou pela falsa impressão de que a água não faz diferença. No entanto, essa prática pode trazer sérios riscos à saúde. O gastroenterologista e endoscopista digestivo Eric Pereira, da Clínica Progastro, alerta que ingerir medicamentos sem líquido pode provocar lesões importantes no esôfago.

Segundo o médico, o problema pode evoluir para um quadro conhecido como esofagite medicamentosa, inflamação que ocorre quando o comprimido permanece em contato direto com a mucosa do esôfago. Dependendo da composição química do medicamento, esse contato pode provocar um efeito cáustico, causando lesões na região.

“A esofagite induzida por medicamentos pode ser transitória e autolimitada, mas também pode provocar lesões persistentes, que, em casos mais graves, podem evoluir para estenoses (estreitamentos) do esôfago”, explica.

Hábitos que aumentam o risco

Além de tomar medicamentos sem água, outros fatores também favorecem o desenvolvimento da esofagite medicamentosa, entre eles:

  • Tomar medicamentos deitado;
  • Engolir comprimidos grandes sem líquido suficiente;
  • Ter estreitamento prévio do esôfago (estenose).

Como tomar remédios de forma segura

Para reduzir o risco de lesões, o especialista recomenda:

  • Ingerir o medicamento com 100 a 200 ml de água;
  • Tomá-lo em pé ou sentado;
  • Evitar deitar por pelo menos 10 a 30 minutos após a ingestão.

Sintomas de alerta

Os principais sintomas da esofagite medicamentosa incluem:

  • Dor no peito (retroesternal);
  • Azia;
  • Dificuldade para engolir (disfagia);
  • Dor ao engolir (odinofagia);
  • Em casos mais graves, vômitos com sangue.

Remédios mais associados à esofagite medicamentosa

Embora diversos medicamentos possam causar esse tipo de lesão, os mais frequentemente relacionados são:

  • Antibióticos;
  • Anti-inflamatórios;
  • Anti-hipertensivos;
  • Anticoncepcionais;
  • Corticoides;
  • Suplementos e vitaminas, especialmente os que contêm ferro.