10 mitos e verdades sobre tatuagem

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Tatuador explica o que realmente faz diferença antes, durante e depois de tatuar

Carne de porco faz mal para quem acabou de fazer uma tatuagem? Pode beber antes de tatuar? Tatuagem precisa “respirar”? Passar mais pomada faz a pele cicatrizar mais rápido? Com a popularização da tatuagem, dúvidas como essas deixaram de circular apenas entre tatuadores e clientes e passaram a fazer parte das conversas nas redes sociais, onde diferentes recomendações sobre o procedimento são compartilhadas diariamente. Enio Conte, tatuador com mais de 40 anos de experiência e fundador da Tattoo Week, esclarece alguns dos mitos mais comuns sobre tatuagem.

1. Comer carne de porco ou chocolate depois de fazer tatuagem atrapalha a cicatrização?

Mito. Não existe uma regra geral que determine que carne de porco ou chocolate devem ser eliminados da alimentação após fazer uma tatuagem. O mais importante é manter uma alimentação equilibrada e seguir a dieta que está acostumado, além dos cuidados recomendados para a região tatuada.

“Esse é um daqueles mitos que passam de geração para geração. O que o tatuador deve orientar é que o cliente cuide da pele e observe qualquer reação diferente durante a cicatrização”, explica Enio.

2. Beber álcool antes de fazer uma tatuagem pode aumentar o sangramento?

Verdade. O consumo de álcool próximo ao procedimento pode favorecer o aumento do sangramento, o que pode dificultar o trabalho do tatuador e interferir na experiência do cliente. “Chegar bem hidratado, descansado e sem ter consumido álcool é uma forma de tornar o procedimento mais tranquilo tanto para quem tatua quanto para quem está sendo tatuado”, afirma.

3. É verdade que não se deve coçar ou arrancar a pele que descama durante a cicatrização?

Verdade. A descamação faz parte do processo de recuperação da pele e não deve ser retirada à força. Coçar ou arrancar casquinhas pode provocar novos traumas na região e prejudicar a aparência final do trabalho. “É normal a tatuagem passar por uma fase em que começa a descascar e coçar. O problema é tentar acelerar esse processo. É tentador, eu sei, mas a pele precisa se recuperar naturalmente”, orienta o tatuador.

4. Não pode expor tatuagem recém-feita ao sol?

Verdade. Durante a cicatrização, é importante evitar a exposição direta ao sol. Depois que a pele estiver completamente recuperada, a proteção solar continua sendo um cuidado importante para preservar a tatuagem ao longo do tempo.

“Uma tatuagem é uma arte que fica na pele para sempre. Então, o cuidado não termina quando a sessão acaba. A exposição ao sol ao longo do tempo pode alterar a aparência dos pigmentos, por isso proteger a região tatuada é também uma forma de preservar a arte”, explica Enio.

5. Entrar no mar ou na piscina logo depois de fazer uma tatuagem pode prejudicar a cicatrização?

Verdade. Durante a recuperação, recomenda-se evitar mar, piscina e outros ambientes que possam aumentar a exposição da pele a microrganismos, produtos químicos e atrito. “Quem acabou de tatuar precisa entender que aquela região está passando por um processo de recuperação. Não é o momento de entrar na piscina ou passar horas no mar. É importante aguardar a recuperação completa, que pode levar cerca de 30 dias após a tatuagem”, afirma.

6. Tatuagens feitas em áreas de maior atrito desbotam mais rápido?

Verdade. Regiões que sofrem atrito frequente, como mãos, pés, dedos e algumas áreas próximas a articulações, podem apresentar maior alteração na aparência da tatuagem ao longo do tempo.

“Algumas partes do corpo estão constantemente em contato com roupas, calçados ou outras superfícies. Além disso, mãos e pés passam por uma rotina de exposição e movimentação muito grande. Por isso, é preciso considerar a região do corpo quando se pensa na durabilidade de uma tatuagem”, explica.

7. Tatuagens coloridas exigem mais cuidados do que as pretas?

Mito. O cuidado durante a cicatrização importa independentemente da cor utilizada. O que pode mudar é a forma como determinados pigmentos aparecem e se comportam ao longo do tempo.

“Não é correto pensar que uma tatuagem colorida necessariamente precisa de um cuidado completamente diferente. O mais importante é cuidar da pele durante a cicatrização e manter a região protegida depois. A qualidade do trabalho também depende da técnica, do pigmento e da forma como a pele responde”, afirma Enio.

8. Tatuagens de traço fino perdem definição mais rápido?

Depende. O resultado de uma tatuagem de traço fino ao longo dos anos está relacionado a diversos fatores, como técnica utilizada, região do corpo, exposição solar, características individuais da pele e envelhecimento.

“O traço fino exige precisão do profissional e uma escolha adequada da região. Não dá para dizer que todo traço fino vai perder a definição rapidamente. Existem trabalhos muito delicados que permanecem bonitos por muitos anos quando são bem executados e recebem os cuidados necessários”, explica.

9. Tatuagem precisa “respirar” para cicatrizar?

Mito. A tatuagem não precisa ficar exposta ao ar como uma regra para cicatrizar. Os cuidados devem seguir as orientações dadas pelo tatuador e considerar as características de cada procedimento. “Essa expressão de que a tatuagem precisa ‘respirar’ é muito comum, mas o mais importante é não inventar cuidados por conta própria. Cada profissional pode orientar uma rotina de acordo com a técnica utilizada e com o trabalho realizado”, afirma.

10. Quanto mais pomada passar, mais rápido a tatuagem cicatriza?

Mito. Usar uma quantidade maior de produto não significa necessariamente acelerar a cicatrização. O excesso pode, inclusive, deixar a região abafada e desconfortável. “Não é porque um produto faz parte do cuidado que quanto mais você usar, melhor. A orientação do profissional deve ser seguida em relação ao produto, à quantidade e à frequência. Exagerar não significa cuidar mais”, conclui Enio.