Especialista alerta para os riscos de transformar tratamento da obesidade em atalhos estéticos
Um levantamento publicado em agosto de 2026 no International Journal of Obesity identificou que 23,8% dos brasileiros entrevistados usaram canetas emagrecedoras sem prescrição médica. A pesquisa também observou que a automedicação era mais frequente entre participantes sem obesidade, acendendo um alerta sobre o uso desses medicamentos fora de um contexto clínico.

Os resultados reforçam a importância de discutir os riscos desse uso sem acompanhamento profissional. O cardiologista Elson Paulozzi Nunes aborda essa questão no livro A Dieta do Salgado.
Quando existe indicação clínica, medicamentos como Ozempic e Mounjaro podem também integrar estratégias de proteção cardiovascular e de controle de outros fatores de risco, conforme as características de cada paciente. Os benefícios, porém, dependem de uma avaliação individualizada e não tornam esses medicamentos soluções universais para quem deseja emagrecer.
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Entre os riscos do uso sem indicação ou acompanhamento médico e psicológico adequado, Elson destaca cinco pontos que merecem atenção:
1. Impactos no desenvolvimento de adolescentes e jovens
O uso sem indicação durante a fase de desenvolvimento pode interferir no atendimento das necessidades nutricionais e exige atenção aos possíveis impactos sobre a saúde física e mental.
O autor destaca preocupações relacionadas à formação da massa óssea, à maturação puberal e às mudanças nos mecanismos de fome, gasto energético e prazer alimentar.
2. Agravamento de transtornos alimentares
A busca pelo emagrecimento a qualquer custo pode agravar uma relação conturbada com a comida e com o próprio corpo. O livro chama a atenção para o uso desses medicamentos por pessoas com transtornos alimentares e por atletas submetidos à pressão para atingir determinada categoria de peso, situações que exigem avaliação cuidadosa e acompanhamento psicológico.
3. Banalização do tratamento de uma doença crônica
A obesidade envolve fatores biológicos, ambientais e comportamentais e não pode ser reduzida a uma questão de aparência.
Transformar medicamentos desenvolvidos para seu tratamento em recursos estéticos desconsidera a complexidade da doença e os critérios necessários para avaliar riscos e benefícios. A indicação deve considerar o histórico e as condições de saúde de cada paciente.
4. Recuperação do peso após a interrupção do tratamento
Os resultados também precisam ser considerados a longo prazo. No estudo de extensão do ensaio clínico STEP 1, participantes recuperaram, em média, cerca de dois terços do peso perdido durante o ano seguinte à interrupção do tratamento.
O dado reforça a importância de um plano de cuidado contínuo, que não dependa exclusivamente da medicação e inclua mudanças sustentáveis nos hábitos de vida.
5. Perda de massa magra
O emagrecimento pode envolver não apenas a redução de gordura, mas também a perda de massa magra, incluindo músculos. Essa mudança merece atenção porque a musculatura contribui para a força, a funcionalidade e o gasto energético do organismo.
Acompanhamento nutricional, ingestão adequada de proteínas e exercícios de força, quando apropriados e orientados por profissionais, podem fazer parte das estratégias para preservar a massa muscular durante o tratamento.