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Marco Aurelio Alvarenga Monteiro, professor da UNESP e pesquisador da Educação para a Ciência, explica os principais impactos da restrição dos smartphones no aprendizado dos alunos
Desde que as escolas restringiram o uso do celular pelos alunos, há pouco mais de um ano, educadores e especialistas têm observado impactos positivos na aprendizagem, no comportamento e na convivência entre os estudantes.
Segundo o professor da UNESP Marco Aurelio Alvarenga Monteiro, a medida contribui para resgatar experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil e adolescente. Muitas vezes, comprometidas pelo excesso de estímulos digitais.
Mas o especialista em Educação para a Ciência afirma que não devemos tratar o debate como uma disputa entre ensino e tecnologia. O desafio está em promover um uso mais equilibrado dos recursos digitais, preservando espaços para a interação presencial, a concentração, a criatividade e o desenvolvimento socioemocional.
A seguir, o especialista destaca cinco benefícios observados com a restrição dos celulares no ambiente escolar:
Mais foco e atenção no aprendizado
A ausência do celular reduz interrupções constantes e favorece a concentração dos estudantes. Pesquisas da psicologia cognitiva indicam que até mesmo a simples presença do aparelho pode impactar a capacidade de atenção e a retenção de conteúdo.
Fortalecimento das relações presenciais
Com menos tempo dedicado às telas, os alunos interagem mais entre si. Conversas, brincadeiras e trocas presenciais ganham espaço, fortalecendo habilidades sociais importantes para a vida em comunidade.
Redução da ansiedade e da pressão social
Quando se afastam temporariamente das redes sociais durante o período escolar, crianças e adolescentes ficam menos expostos à comparação constante, à busca por validação e aos estímulos que podem aumentar a ansiedade.
Mais criatividade e autonomia
De acordo com Marco Aurelio, momentos sem acesso imediato ao celular permitem que os estudantes aprendam a lidar com o tédio de forma construtiva. Esse espaço favorece a imaginação, a reflexão e o desenvolvimento da criatividade.
Desenvolvimento da empatia e da inteligência emocional: o contato presencial possibilita a leitura de expressões faciais, gestos e tons de voz, elementos essenciais para compreender emoções e construir vínculos. A convivência direta ajuda a desenvolver empatia e habilidades socioemocionais que dificilmente são reproduzidas no ambiente digital.