Cansaço, alterações de peso e queda de cabelo podem estar entre os sinais de alterações na tireoide
A tireoide exerce um papel central na regulação do metabolismo energético, da termogênese, da função cardiovascular, da saúde óssea e da modulação de vias neuropsíquicas. Pequena no tamanho, mas essencial para o funcionamento do organismo, a tireoide exerce um papel importante na regulação do metabolismo, da temperatura corporal, da saúde cardiovascular, dos ossos e até do equilíbrio emocional. Quando há alterações no funcionamento da glândula, diferentes sintomas podem surgir e muitos deles confundidos com estresse, ansiedade ou cansaço da rotina.
Entre as principais disfunções estão o hipotireoidismo, hipertireoidismo e doença nodular e figuram entre as endocrinopatias mais prevalentes na prática ambulatorial, com impacto significativo nos desfechos cardiovasculares, ósseos e reprodutivos, bem como na qualidade de vida. Queixas como fadiga crônica, dificuldade para perder peso, queda de cabelo, alterações de humor e intolerância térmica, frequentemente atribuídas ao estresse ou a hábitos de vida, integram o espectro clínico de disfunções tireoidianas manifestas ou subclínicas, conforme descrito em diretrizes internacionais.
Segundo o Adriano Cury, endocrinologista do Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa um dos principais desafios é que os sinais costumam surgir de forma silenciosa e pouco específica, atrasando o diagnóstico. “Em muitos casos, os pacientes associam os sintomas apenas ao estresse ou ao estilo de vida corrido, o que pode fazer com que demorem para procurar avaliação médica”, explica o especialista.
Do ponto de vista fisiopatológico, o hipotireoidismo em grande parte decorrente de tireoidite crônica autoimune e associa-se a lentificação metabólica, alterações do perfil lipídico, disfunção endotelial e maior risco de eventos cardiovasculares em subgrupos selecionados. Já o hipertireoidismo, frequentemente relacionado à doença de Graves, cursa com hipermetabolismo, aumento da demanda cardiovascular e manifestações neuropsíquicas, estando ligado a fibrilação atrial, piora de insuficiência cardíaca e perda de massa óssea, com aumento do risco de fraturas, especialmente em mulheres na pós-menopausa. Esses dados reforçam que tratar disfunções tireoidianas significa também atuar sobre risco cardiometabólico e ósseo.
Hipotireoidismo e hipertireoidismo exigem atenção
O hipotireoidismo acontece quando a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente, desacelerando o metabolismo. Além do cansaço e do ganho de peso, a condição pode provocar alterações no colesterol e aumentar o risco cardiovascular. Grande parte dos casos está relacionada à tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune.
Já o hipertireoidismo ocorre quando há produção excessiva de hormônios, deixando o organismo acelerado. Ansiedade, palpitações, irritabilidade, insônia e perda de peso sem causa aparentem estão entre os sintomas mais comuns. Em alguns casos, a doença também pode favorecer arritmias cardíacas e perda de massa óssea, principalmente em mulheres após a menopausa.
Nódulos na tireoide são comuns
Os nódulos tireoidianos também merecem atenção. Apesar de extremamente frequentes e, na maioria das vezes, benignos, alguns casos precisam de investigação mais detalhada para descartar câncer de tireoide.
Dados do Global Cancer Observatory e estimativas recentes do INCA mostram que o câncer de tireoide está entre os tumores endócrinos mais comuns da atualidade, com aumento de casos relacionado principalmente ao diagnóstico de pequenos tumores assintomáticos.
“Por isso, a avaliação dos nódulos deve incluir histórico clínico, exame físico e ultrassonografia cervical com critérios padronizados de estratificação de risco, além do uso criterioso da punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Em alguns casos específicos, também podem ser indicados testes moleculares”, afirma Adriano Cury.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação normalmente começa com exames laboratoriais, principalmente TSH e T4 livre. Dependendo do quadro clínico, o médico também pode solicitar T3 e anticorpos antitireoidianos. A ultrassonografia cervical é indicada principalmente na avaliação de nódulos e alterações estruturais da glândula.
Dicas para cuidar da saúde da tireoide
1. Observe os sinais do corpo
Mudanças persistentes no peso, energia, humor ou sono merecem atenção.
2. Faça check-ups regularmente
Pessoas com histórico familiar, doenças autoimunes ou sintomas frequentes devem manter acompanhamento médico.
3. Evite a automedicação
O uso inadequado de hormônios e suplementos pode prejudicar o funcionamento da tireoide.
4. Mantenha hábitos saudáveis
Uma alimentação equilibrada e o controle do estresse ajudam no equilíbrio hormonal.
5. Procure avaliação especializada
A presença de nódulos ou sintomas persistentes deve ser investigada para evitar complicações futuras.
Nos últimos anos, ferramentas de inteligência artificial aplicadas à ultrassonografia também passaram a auxiliar na avaliação de nódulos tireoidianos. Ainda assim, especialistas reforçam que a análise clínica individualizada continua sendo essencial para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.