Widow´s Bay: 4 motivos para mergulhar na série ainda hoje

Publicidade

Consagrada no Emmy, Widow´s Bay acerta o tom ao misturar terror e comédia; veja por que vale a pena maratonar

É uma série estranha. Porque, embora busque inspiração na obra monumental de Stephen King, Widow´s Bay, disponível na Apple TV+, não se resume a uma produção de terror. E por quê? Porque tem elementos de comédia. Então, a pegada é de humor? Não, exatamente. Há ótimas construções cômicas, mas a série também passeia pelo drama e pelo suspense. Widow´s Bay é, assim, polifônica. Trafega por ritmos, emoções e linguagens, e não parece disposta a se restringir a uma só classificação.

Matthew Rhys interpreta o protagonista Tom Loftis: Emmy de melhor ator em série de comédia (Foto: Reprodução/Apple TV)

Criada por Katie Dippold, roteirista de Caça-Fantasmas (2016) e Mansão Mal-Assombrada (2023), e dirigida por Hiro Murai, a série arrebatou 14 prêmios Emmy na 78ª edição do evento, realizada na última segunda-feira (14). Essa chuva de prêmios funcionou como uma consagração, porque Widow´s Bay já era sucesso de público e também de crítica: antes do Emmy Awards, a Apple TV+ já havia confirmado a segunda temporada para 2027. Ainda não assistiu? Confira, então, quatro motivos para maratonar o quanto antes:

1 – O argumento é delicioso

A história se passa numa ilha isolada na Costa da Nova Inglaterra – não por acaso, o mesmo cenário dos livros mais emblemáticos de King. Tom Loftis (Matthew Rhys), prefeito de Widow´s Bay, deseja turbinar o turismo local para aquecer a economia e dar mais visibilidade à cidade. O problema é que a ilha carrega uma maldição, que adormece e renasce de tempos em tempos (alô, It – A Coisa!). Monstros passeiam por lá, tocando o terror. E os moradores precisam lidar com isso, como se não bastassem os pepinos do cotidiano, o que torna tudo bem engraçado e apavorante ao mesmo tempo.

2 – Matthew Rhys entrega tudo

Ao tentar administrar as demandas da cidade, o personagem de Rhys, Tom Loftis, precisa fugir dos fantasmas e entender a presença deles na ilha. Além disso, cabe a ele lidar com colegas excêntricos e enfrentar questões familiares, incluindo traumas do passado e uma relação conturbada com o único filho, Evan (Kingston Rumi Southwick).

O fato é que Matthew Rhys dá um show de interpretação! E o Emmy reconheceu isso ao premiá-lo duas vezes na mesma noite. Assim, ele faturou a estatueta de melhor ator em série de comédia por Widow´s Bay, e também a de melhor ator em minissérie ou telefilme por viver Nile Jarvis em O Monstro em Mim, da Netflix. É versatilidade que fala?

3 – Personagens carregam dores e defeitos

Os personagens de Widow´s Bay não são nada idealizados. São, na verdade, tragicamente humanos, imperfeitos, vulneráveis. Não há heróis implacáveis, protagonistas indestrutíveis, crianças superdotadas – nada disso. O prefeito Tom é inseguro, atrapalhado, contraditório, muitas vezes omisso.

Sua assistente, Patricia (Kate O´Flynn), também é gente como a gente. Atormentada por um episódio da juventude, ela sofre com a solidão e a rejeição das ex-colegas de escola, enquanto busca maneiras de pertencer a espaços, conquistar afetos e reafirmar seu valor social. A performance de O´Flynn é vigorosa – tão vigorosa que lhe garantiu o Emmy de melhor atriz coadjuvante em série cômica.

4 – Tem um plot twist fantástico

O plot twist de Widow´s Bay é um dos grandes acertos do roteiro. Enquanto tenta livrar a cidade da antiga maldição, o prefeito Tom faz uma descoberta espantosa, o que o obriga a arcar com as consequências de suas escolhas. A forma como a reviravolta é apresentada na trama faz o espectador se colocar na pele do personagem, e sentir cada milímetro da sua perturbação e do seu desespero.

Além desse plot genial, Widow´s Bay estoura o termômetro da criatividade em Leitura de Praia, o quarto episódio da série. Patricia vai fazer aniversário e planeja uma festa para se reconciliar com seu passado. Mas as coisas não saem como ela imaginava, e o resultado é uma mistura insana de comédia e horror ao som de The Rhythm of the Night, da banda italiana Corona.