Especialista diz que a medicina evoluiu e que sentir medo dessa cirurgia já não faz sentido atualmente
“E se eu ficar sem andar?” A pergunta ainda é frequente no consultório quando um paciente recebe indicação para uma cirurgia de coluna. Embora qualquer procedimento cirúrgico envolva riscos, muitos dos receios relacionados à coluna foram construídos a partir de uma realidade que mudou com a evolução da medicina.

Segundo o ortopedista e cirurgião de coluna André Evaristo Marcondes, um dos principais equívocos é imaginar que toda cirurgia de coluna é de alta complexidade e envolve grande risco neurológico. “Existe uma diferença enorme entre operar uma hérnia de disco e corrigir uma deformidade complexa da coluna. Não podemos colocar todos os procedimentos no mesmo patamar. É necessário avaliar individualmente a indicação, a técnica e os riscos”, explica ele. André Evaristo é especialista em cirurgia de coluna, ortopedia e traumatologia.
Principais medos
Entre os medos superestimados, está a ideia de que quem opera a coluna pode ficar paraplégico e a crença de que toda cirurgia exige grandes incisões. Também há receio de que a recuperação será necessariamente longa e dolorosa, e que o paciente nunca mais poderá realizar atividades físicas.
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“Não se pode tratar essas possibilidades como regra. Em muitos casos, o objetivo da cirurgia é justamente devolver a função, reduzir sintomas e permitir que o paciente retome atividades que a doença passou a impedir”, esclarece o especialista.
Contribuição da tecnologia
Entre os avanços incorporados à especialidade, estão técnicas minimamente invasivas, sistemas de navegação, robótica e recursos avançados de imagem. Uma meta-análise publicada em 2024 no periódico especializado Journal of Neurosurgery: Spine encontrou taxas próximas de 98% de precisão na colocação adequada de parafusos pediculares com plataformas robóticas. Parafusos pediculares são implantes que os cirurgiões colocam na coluna para estabilizá-la.
Outro estudo que reuniu 20 ensaios clínicos apontou vantagens da cirurgia assistida por robótica em determinados cenários. Esses cenários incluem maior precisão no posicionamento de parafusos, menor perda sanguínea e redução do tempo de internação. “A tecnologia não substitui o cirurgião, e também não transforma uma cirurgia em um procedimento sem riscos. O que ela oferece são ferramentas adicionais para planejar e executar determinadas etapas com mais precisão”, comenta André Evaristo.
Os riscos reais, como infecção, sangramento, complicações anestésicas e, em determinados procedimentos, lesões neurológicas devem ser discutidos antes da cirurgia. A probabilidade, porém, varia de acordo com o diagnóstico, tipo de procedimento, região da coluna, técnica utilizada e condições clínicas do paciente.
Adiar a cirurgia?
O médico ressalta ainda que, em algumas situações, adiar uma cirurgia indicada pode trazer consequências. Ele adverte que isso é especialmente arriscado quando há perda progressiva de força ou comprometimento de estruturas nervosas.
“É natural sentir receio quando se fala em cirurgia de coluna, mas hoje existem técnicas, tecnologias e conhecimentos que tornam os procedimentos cada vez mais planejados e precisos”, diz ele. Ele recomenda que o paciente procure um especialista para entender a indicação da cirurgia, o benefício esperado, bem como os riscos. E ainda o que pode acontecer se o problema não for tratado.