A partir dos 45 anos, muitas mulheres começam a apresentar ansiedade, irritabilidade, insônia, alterações de humor, entre outros sinais fáceis de serem confundidos com depressão
Estudos mostram que a menopausa é uma fase de maior vulnerabilidade para sintomas depressivos e ansiosos, com uma meta-análise indicando risco duas vezes maior de sintomas de depressão em comparação com o período pré-menopausa. A sobreposição entre os quadros é justamente o que torna o diagnóstico mais complexo.

Durante a transição para a menopausa, a oscilação e a queda dos níveis de estrogênio podem provocar alterações no funcionamento cerebral e em diferentes sistemas do organismo. Por isso, sintomas como irritabilidade, insônia, choro fácil, fadiga, lapsos de memória e tristeza podem aparecer e, em alguns casos, ser confundidos com depressão.
Nesse contexto, a ginecologista Roberta Brando alerta para a possibilidade de a mulher chegar primeiro ao consultório psiquiátrico e receber tratamento para sintomas cuja origem não foi investigada de forma ampla. “Muitas vezes, a mulher procura inicialmente atendimento médico por ansiedade, insônia ou alterações de humor. Mas nem sempre esses sintomas são avaliados dentro do contexto do climatério. Não se trata de negar a existência da depressão, mas de compreender que ansiedade, irritabilidade, insônia, fadiga e alterações cognitivas também podem fazer parte do climatério,afirma a especialista”, defende.
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A consequência pode ser uma trajetória de tratamentos que controlam parte dos sintomas, mas não enfrentam todos os fatores envolvidos. Tendo em vista essa sina, a médica lista seis sintomas que aparecem na vida da mulher com mais de 40 anos e que podem ser confundidos com a depressão.
Irritabilidade
“A irritabilidade está relacionada às oscilações hormonais e às mudanças nos neurotransmissores envolvidos na regulação do humor. O problema pode ser agravado pela falta de sono e pelos fogachos, tornando a mulher mais sensível ao estresse e emocionalmente reativa”, indica a médica.
Insônia
“A falta constante de sono, especialmente os despertares durante a madrugada, também é frequente. A alteração hormonal interfere na termorregulação e pode favorecer ondas de calor e sudorese noturna, fragmentando o sono. Como consequência, a mulher pode acordar cansada, apresentar dificuldade de concentração e ficar mais irritada ao longo do dia”, completa Roberta.
Choro incessante
“O choro fácil pode ocorrer pela maior instabilidade emocional provocada pelas oscilações hormonais, somada ao cansaço e à privação de sono”, justifica.
Fadiga
Já a fadiga muitas vezes é consequência desse conjunto de alterações, principalmente quando a mulher passa várias noites dormindo mal. O resultado pode ser redução da disposição, da concentração e do rendimento nas atividades cotidianas”, acrescenta.
Lapso de memória
“Aquele esquecimento momentâneo de coisas importantes podem surgir nessa fase. A redução do estrogênio interfere em áreas cerebrais relacionadas à memória e à atenção, enquanto o sono inadequado pode potencializar o problema. São comuns esquecimentos momentâneos, dificuldade para encontrar palavras e sensação de “mente lenta”, sem que isso signifique necessariamente perda cognitiva progressiva”, salienta.
Tristeza
“Como um todo, a menopausa é uma fase de maior vulnerabilidade para alterações do humor, e sintomas persistentes, perda de interesse pelas atividades, desesperança, isolamento ou prejuízo significativo na rotina devem ser avaliados por um profissional. É comum, entre altos e baixos, a tristeza. O tratamento depende da causa e pode envolver medidas para os sintomas do climatério, psicoterapia ou medicamentos quando houver indicação”, finaliza Roberta.
E o que fazer para se cuidar?
Isso não significa, porém, que toda depressão nessa faixa etária seja causada pela menopausa ou que a terapia hormonal substitui o tratamento psiquiátrico. As diretrizes recomendam avaliação individualizada, porque mulheres na perimenopausa também podem desenvolver ou apresentar recorrência de transtornos depressivos que exigem psicoterapia, antidepressivos ou outras estratégias específicas.
Além do que pode ser um diagnóstico equivocado, é importante alertar para a possibilidade de uma avaliação incompleta. “Reconhecer a possibilidade de oscilação hormonal pode mudar a condução do caso e evitar que sintomas do climatério sejam tratados isoladamente, sem que a mulher receba uma avaliação capaz de considerar todas as causas envolvidas”, finaliza a médica.