O neurocientista Estevão Daudt aponta estratégias práticas para reduzir o impacto do esgotamento profissional
O aumento dos casos da Síndrome do Burnout no ambiente de trabalho brasileiro está cada vez mais alto. O distúrbio psíquico, popularmente conhecido pelo esgotamento com as questões profissionais, deixou de ser apenas uma consequência associada a rotinas intensas e excesso de atividades para se transformar em um problema grave no mercado de trabalho.

Dados recentes da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) acendem um sinal preocupante. De acordo com as instituições, os afastamentos relacionados ao burnout no Brasil dispararam 296% entre 2023 e 2025, saltando de 1.760 para 6.985 casos. E esse número pode ser apenas a ponta do iceberg.
“Não podemos tratar o burnout simplesmente como falta de disposição ou como um problema de organização pessoal. Quando o cérebro permanece por muito tempo em estado de alerta, o organismo inteiro paga essa conta. Precisamos ensinar as pessoas a reconhecer os sinais de sobrecarga e criar estratégias de recuperação antes que o esgotamento se torne incapacitante”, afirma, Estevão Daudt, Doutor em Desenvolvimento Humano, Mestre em Programação Neurolinguística (PNL), neurocientista e especialista em educação executiva e capacitação de equipes para alta performance pelo Instituto Daudt e pela Academia Brasileira de Supermercados (ABS).
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Dados urgentes
O levantamento brasileiro considera somente afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora episódios mais curtos e situações que sequer chegam a ser comunicadas aos empregadores. Na prática, segundo o neurocientista, o tamanho real do problema tende a ser ainda maior e o custo do esgotamento, fugindo às estatísticas. Ele destaca que o enfrentamento do problema também passa por compreender como o cérebro responde ao estresse.
Para isso, Estevão Daudt compartilha cinco práticas que podem auxiliar as pessoas em momentos críticos e, pouco a pouco, construir uma relação mais saudável no ambiente corporativo. Vale lembrar, que nada é mais importante que buscar um acompanhamento psicológico, as propostas, de acordo com Daudt é aliviar sintomas e também começar a encontrar respostas para melhorar a qualidade de vida e também a saúde:
1. Respire para “desligar o alarme” do cérebro
Em momentos de tensão, use a chamada “respiração 4-7-8”. Inspire por 4 segundos, segure por 7 e solte por 8. A técnica ajuda a ativar o sistema de relaxamento do corpo e a reduzir o estado de alerta.
2. Troque o “porquê” pelo “para quê”
Mude a forma de enxergar o problema. Em vez de “tenho uma semana impossível”, pense: “tenho uma semana que vai exigir foco”. Ressignificar o desafio ajuda a reduzir a percepção de ameaça e tornar o estresse mais administrável.
3. Proteja o sono e respeite seu ritmo
Dormir bem é essencial para o cérebro se recuperar do estresse. Mantenha horários regulares para dormir, acordar e fazer pausas longe das telas durante o dia. Recuperar-se também faz parte da produtividade.
4. Troque listas infinitas por pequenas vitórias
Metas vagas aumentam a sensação de sobrecarga. Transforme grandes objetivos em tarefas pequenas, claras e possíveis de concluir. Progresso visível alimenta a motivação e reduz a sensação de estar sempre correndo atrás.
5. Conecte-se: ninguém performa bem sozinho
Relações de confiança ajudam a proteger o organismo dos efeitos do estresse. No trabalho, escutar e acolher pode fortalecer vínculos e criar um ambiente mais saudável e resiliente.
“Líderes que escutam, validam e demonstram interesse genuíno pelas pessoas contribuem para equipes mais resilientes. Uma pergunta simples como ‘como você está, de verdade?’ pode abrir uma conversa que muitas vezes não aconteceria. Afinal, a alta performance sustentável não nasce de pessoas permanentemente pressionadas, mas de ambientes em que cobrança e recuperação conseguem coexistir”, ressalta Estevão.