Entenda quais fatores influenciam a formação dessas características e se é possível mudar esses padrões ao longo da vida
Você já sentiu vontade de ir embora de uma festa para ficar um tempo sozinho, enquanto outra pessoa não vê a hora de encontrar os amigos e prolongar a noite? Essas diferenças fazem parte da maneira como nos relacionamos com o mundo e estão ligadas a traços de personalidade, como a introversão e a extroversão.

Mas, ao contrário do que muita gente pensa, ser introvertido não significa ser tímido, assim como ser extrovertido não é apenas gostar de conversar. A forma como essas características se desenvolvem envolve fatores biológicos e experiências de vida. Calma, vamos por partes.
Introvertido
Segundo a psicologia, a introversão não tem nada a ver com timidez, falta de habilidade social ou aversão a pessoas. Para Daiane Viana, psicóloga disponível na plataforma Doctoralia, trata-se, fundamentalmente, de como o sistema nervoso de alguém gerencia e processa estímulos. “Pessoas introvertidas tendem a ter um limiar de ativação cortical mais sensível; ou seja, ambientes muito barulhentos, cheios de interações simultâneas ou altamente estimulantes geram uma sobrecarga rápida. Por isso, a energia dessas pessoas se renova nos momentos de recolhimento, no silêncio e nas conexões mais profundas, a dois ou em pequenos grupos”, completa.
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Extrovertido
Já o perfil extrovertido caracteriza-se por um limiar de ativação cortical mais alto. Isso significa que o cérebro da pessoa extrovertida “pede” por estímulos externos para funcionar no seu potencial ideal e manter o nível de energia alto. “Elas se sentem revigoradas pela troca dinâmica com o ambiente, pela variedade de experiências sociais, pela conversa aberta e pela ação. O mundo externo funciona para elas como um combustível, ao contrário do introvertido”, exemplifica.
Diversos fatores
A formação desses comportamentos é multifatorial, unindo a biologia e a história de vida da pessoa. Do ponto de vista comportamental, Daiane conta que olha-se para a bagagem genética e neurobiológica e a interação com o ambiente. “A forma como o organismo reage aos estímulos vai ser o que irá definir quais serão os fatores que influenciam esses comportamentos, mas a história de vida, experiências que trouxeram eventos prazerosos ou aversivos ao longo dos anos vão definindo a expressão dessas tendências.”
Até que ponto podemos mudar nosso jeito de ser?
Será que uma pessoa pode se tornar mais extrovertida, ou alguém extrovertido pode desenvolver comportamentos mais introspectivos? Daiane afirma que, apesar de não podermos mudar nossa essência biológica, o comportamento é maleável. “Na prática clínica, trabalhamos muito com a ideia de flexibilidade comportamental. Um introvertido pode aprender a se expressar muito bem em público, liderar reuniões e transitar com facilidade em grandes eventos (desenvolvendo repertório e tolerância)”, afirma. “Da mesma forma, um extrovertido pode aprender a desfrutar da solitude, a tolerar o silêncio e a aprofundar sua escuta introspectiva”, completa.
Porém, a psicóloga alerta que o limite dessa mudança reside no custo energético: conseguimos emitir qualquer comportamento se houver treino e propósito, mas, para o introvertido, manter um ritmo 100% extrovertido o tempo todo, o preço a pagar em termos de exaustão mental é altíssimo.
Uma troca riquíssima
A psicóloga clínica Larissa Fonseca destaca que os introvertidos e os extrovertidos podem aprender muito uns com os outros. “O introvertido pode aprender a se expor mais, ampliar contatos e se posicionar com mais facilidade. O extrovertido pode aprender a ouvir mais, observar melhor e não precisar preencher todos os silêncios. Um pode ampliar o repertório do outro.”
“Respeitar a própria biologia não significa rigidez; significa saber negociar com o mundo externo sem se abandonar no processo”, conclui Daiane.