Quando a convivência com os filhos vira controle do ex-parceiro

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Especialista em reconciliação de casal explica como identificar sinais de manipulação envolvendo os filhos após conflitos ou separações

O fim de um relacionamento não significa necessariamente o fim dos conflitos entre o casal. Quando a relação envolve filhos, os pais precisam manter a convivência, e um dos parceiros pode usar essa dinâmica para controlar o outro. Alguns comportamentos podem ultrapassar os limites de um conflito familiar e se transformar em mecanismos de controle.

Crédito: paxmediation

Frases como “você só vai ver seu filho se fizer o que eu quero”, ameaças de dificultar a convivência ou o uso de informações sobre a criança para provocar medo e culpa são sinais de que a parentalidade pode estar sendo usada como ferramenta de controle. Esse tipo de comportamento pode criar uma relação de dependência e submissão, além de colocar a criança no centro de um conflito que os adultos deveriam resolver.

Segundo Pai Roberson Dariel, especialista em reconciliação de casal do Instituto Unieb, é importante diferenciar situações pontuais de conflitos relacionados à separação de um padrão de comportamento voltado a controlar o outro. “Quando um dos pais utiliza a relação com o filho como moeda de troca para conseguir obediência, provocar medo ou impedir que o outro siga a própria vida, a questão deixa de ser apenas um desentendimento entre o casal. É preciso observar os impactos dessa dinâmica sobre todos os envolvidos, principalmente sobre a criança”, explica.

Entre os sinais de que a parentalidade pode estar sendo utilizada como ferramenta de controle, Roberson destaca:

  • Ameaçar restringir ou impedir a convivência com o filho como forma de punição;
  • Condicionar decisões sobre a criança à obediência ou ao comportamento do outro responsável;
  • Utilizar a criança para transmitir mensagens, cobranças ou ameaças ao ex-parceiro;
  • Criar obstáculos recorrentes para a convivência sem uma razão relacionada ao bem-estar ou à segurança do filho;
  • Fazer a criança se sentir responsável pelo conflito entre os pais;
  • Compartilhar com o filho informações ou acusações sobre o outro responsável para influenciar sua percepção.

Além de gerar desgaste entre os adultos, esse tipo de dinâmica pode colocar a criança em uma posição de conflito de lealdade, fazendo com que ela sinta que precisa escolher um dos pais ou assumir responsabilidades que não correspondem à sua idade.

“A criança não deve ser colocada no papel de mediadora, mensageira ou instrumento de negociação entre os pais. Mesmo quando existe ressentimento ou uma separação difícil, as decisões precisam partir do que é mais saudável e seguro para o filho, e não do desejo de controlar ou punir o outro adulto”, completa o especialista.

A discussão sobre o tema também reforça a importância de preservar a infância de disputas desnecessárias entre os adultos. Identificar esses comportamentos e buscar orientação profissional e jurídica quando necessário pode ajudar a interromper ciclos de manipulação e proteger a relação da criança com seus responsáveis.