Segundo a psicóloga Deborah Dubner, falar sobre limites, rede de apoio e autocuidado é o maior desafio e o melhor benefício para quem cuida
Mãe, avó, filha, professora, enfermeira, a vizinha que dá uma olhadinha nas crianças da rua… Em algum momento da vida, quase todo mundo assume o papel de cuidador. E isso vale para pessoas, mas também para bichinhos e plantas. “O cuidado faz parte da vida de todos nós, seja de forma profissional ou voluntária, diária ou esporádica”, afirma a psicóloga Deborah Dubner, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva e autora de sete livros.

Não por acaso, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu em 2023 o Dia Internacional do Cuidado e Apoio, celebrado em 29 de outubro. A data lembra a importância de reconhecer, valorizar e apoiar quem cuida, com ou sem remuneração.
O último lugar da fila
O problema é que quem cuida costuma se deixar de lado. Uma viagem, uma caminhada, um presentinho para si mesma: tudo fica para depois. “O tempo é escasso e a demanda parece infinita”, observa Deborah. Ela usa a natureza como exemplo: quando uma parte de um sistema vivo é sobrecarregada o tempo todo, o conjunto inteiro sente. “Dar e receber são dois lados da mesma moeda.”
Conteúdos relacionados Comportamento
Amor em forma de atitude
Para a especialista, cuidar é uma das formas mais concretas de amar. O amor aparece na atenção, na escuta, na presença e nos gestos do dia a dia. Deborah cita a psicóloga americana Barbara Fredrickson, para quem o amor surge em momentos de conexão, com emoções positivas compartilhadas, sintonia e reciprocidade. Ou seja: ele mora também nas pequenas interações.
Pode nutrir ou esgotar
Cuidar desperta gratidão, alegria e senso de propósito, mas também pode trazer cansaço, tristeza, impotência e exaustão. “Saber os próprios limites e encontrar formas de não os ultrapassar é um aprendizado difícil e importante”, diz a psicóloga. Por isso, o autocuidado não é luxo: é base do bem-estar.
Peso maior para elas
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres respondem por cerca de 76% das horas de cuidado não remunerado no mundo. “Quem cuida não pode desaparecer na própria dedicação”, alerta Deborah.
A saída, segundo ela, é falar sobre limites e construir uma rede de apoio. Cuidar não significa estar disponível o tempo todo nem dar conta de tudo sozinha. Vale o exercício: quanto você oferece? E quanto se permite receber?