Dá para morrer de tristeza?

Cardiologista alerta que síndrome pode ser confundida com infarto

A recente repercussão em torno da morte da escritora, cineasta e ilustradora franco-iraniana Marjane Satrapi, aos 56 anos, reacendeu uma questão que há muito desperta o interesse da medicina e do público: afinal, é possível morrer de tristeza?

Segundo informações divulgadas por familiares, a autora teria enfrentado um profundo sofrimento emocional após a morte do marido, Mattias Ripa. Embora a expressão “morrer de tristeza” seja frequentemente usada de forma figurada, existe uma condição médica real que ajuda a explicar como emoções intensas podem afetar diretamente o coração: a Síndrome do Coração Partido.

O que é a Síndrome do Coração Partido?

“Conhecida cientificamente como cardiomiopatia de Takotsubo ou cardiomiopatia induzida por estresse, a condição afeta o músculo cardíaco e tem como principal característica uma disfunção súbita e transitória do ventrículo esquerdo, responsável por bombear sangue para todo o organismo”, explica o cardiologista Richarley Augusto, do Hospital Quali Ipanema.

A síndrome costuma surgir após eventos de forte impacto emocional ou físico, provocando uma resposta intensa do organismo ao estresse.

O que pode desencadear a síndrome?

Entre os gatilhos mais frequentemente associados estão:

  • Falecimento de um familiar ou pessoa querida;
  • Término de relacionamento afetivo;
  • Perda do emprego;
  • Acidentes graves;
  • Crises respiratórias importantes, como asma;
  • Situações de grande tensão emocional.

“Curiosamente, nem sempre o gatilho é negativo. Eventos considerados positivos, mas emocionalmente intensos, também podem desencadear o quadro, como ganhar um prêmio milionário, receber uma grande promoção profissional ou vivenciar uma surpresa extremamente impactante”, afirma.

Os sintomas podem ser confundidos com um infarto

De acordo com o cardiologista, o quadro costuma se apresentar de forma muito semelhante a um infarto agudo do miocárdio.

“A síndrome do coração partido simula um infarto, apresentando alterações eletrocardiográficas e laboratoriais semelhantes, porém sem a obstrução das artérias coronárias”, conclui.