Como renegociar juros altos e adaptar suas contas

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Se você sente que o dinheiro está rendendo menos, que as parcelas pesam mais no fim do mês ou que uma dívida parece crescer sem parar, os juros têm bastante a ver com isso.

Como renegociar juros altos e adaptar suas contas
Foto: Freepik

Mesmo com o início da queda da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, os juros ainda estão em um nível elevado. Em 16 de setembro, o Banco Central reduziu a taxa de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. Na prática, o cenário continua influenciando o custo do crédito e o rendimento de alguns investimentos.

E isso aparece no dia a dia: o crédito pode ficar mais caro, enquanto investimentos de renda fixa podem se tornar mais interessantes para quem tem dinheiro guardado.

Segundo Yani Rodrigues, planejadora financeira da Fire|ce, os juros impactam tanto quem precisa de dinheiro quanto quem tem uma quantia guardada.

“Quando os juros sobem, pegar dinheiro emprestado fica mais caro, o que pesa em empréstimos, financiamentos e no crédito do dia a dia. Ao mesmo tempo, aplicações de renda fixa tendem a oferecer um rendimento mais atrativo”, explica.

Vai parcelar? Faça as contas antes

Sabe aquela parcela que parece caber perfeitamente no bolso? Antes de dizer “sim”, vale fazer uma conta importante: quanto você vai pagar no total?

Uma prestação pequena pode parecer inofensiva, mas várias compras parceladas ao mesmo tempo podem consumir uma parte significativa da renda todos os meses.

“O consumidor precisa entender quanto aquela decisão vai custar no total”, afirma Yani.

Por isso, antes de parcelar, pergunte:

  • Eu realmente preciso fazer essa compra agora?
  • A parcela cabe no meu orçamento sem apertar outras despesas?
  • Quanto vou pagar no total?
  • Já tenho outras parcelas para pagar nos próximos meses?

Cuidado com o cartão de crédito

O cartão pode ser um aliado para organizar os pagamentos, mas exige atenção principalmente quando a fatura não é paga integralmente.

Atrasar a fatura ou pagar apenas o valor mínimo pode fazer a dívida crescer rapidamente por causa dos juros. E, quanto maior a dívida, mais difícil pode ficar recuperar o equilíbrio do orçamento.

Se as contas já estão apertadas, vale evitar novas compras parceladas e priorizar a organização dos débitos existentes.

Tenho dinheiro guardado. E agora?

Para quem conseguiu juntar uma reserva, os juros elevados podem favorecer algumas alternativas de renda fixa.

Mas isso não quer dizer que exista um investimento “certo” para todo mundo. Antes de escolher onde colocar o dinheiro, é preciso entender quatro pontos: rentabilidade, prazo, liquidez e risco.

“É preciso entender a rentabilidade, prazo, liquidez e risco. Também é importante comparar a rentabilidade líquida, considerando impostos e eventuais custos”, explica Yani.

Traduzindo:

  • Rentabilidade: quanto o dinheiro pode render.
  • Liquidez: quão fácil é resgatar o dinheiro quando você precisar.
  • Risco: possibilidade de o investimento render menos que o esperado ou até gerar perdas.

E tem uma regra importante: dinheiro para emergências precisa estar em um lugar que permita acesso rápido aos recursos. Afinal, imprevistos não avisam quando vão aparecer.

Tenho dívidas com juros. Por onde começo?

Se você está endividado, não precisa tentar resolver tudo de uma vez. O primeiro passo é descobrir exatamente quanto deve.

Coloque no papel:

  1. Qual é o valor de cada dívida?
  2. Quanto de juros está sendo cobrado?
  3. Qual é o valor das parcelas?
  4. Existe possibilidade de renegociação?

Depois, procure alternativas para reduzir o custo dos juros. Em alguns casos, pode fazer sentido trocar uma dívida mais cara por outra com custo menor — mas é fundamental comparar o valor total antes de fechar qualquer acordo.

E aquele dinheiro parado na conta?

Se você tem uma quantia que não precisa usar imediatamente, pode valer a pena pesquisar opções para fazê-la render.

Mas não escolha uma aplicação apenas porque ela promete uma determinada rentabilidade. Primeiro, pense em quando vai precisar desse dinheiro e se terá acesso fácil a ele.

A melhor escolha depende do objetivo. Uma reserva para emergências, por exemplo, tem necessidades diferentes de um dinheiro que só será usado daqui a alguns anos.

5 atitudes para cuidar melhor do seu dinheiro

1. Reveja as parcelas: some tudo o que já está comprometido nos próximos meses.

2. Ataque as dívidas mais caras: descubra quais débitos cobram mais juros e avalie possibilidades de negociação.

3. Não olhe apenas para a parcela: compare sempre o custo total de empréstimos e financiamentos.

4. Dê um destino ao dinheiro parado: se houver recursos que não serão usados agora, pesquise alternativas de investimento compatíveis com seus objetivos.

5. Tenha uma reserva para imprevistos: priorize segurança e facilidade de acesso para o dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento.

No fim das contas, juros altos exigem mais atenção, mas também podem ser uma oportunidade para colocar a vida financeira em ordem. O primeiro passo é saber exatamente para onde o seu dinheiro está indo — e quanto cada escolha realmente custa.