Transplante de linfonodo alivia sequelas do câncer; entenda

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Técnica moderna ajuda a reduzir o inchaço do braço, devolvendo a qualidade de vida e o bem-estar às pacientes

Vencer o câncer de mama é uma grande vitória, mas o pós-operatório da mastectomia pode deixar marcas que vão além da cicatriz física. O linfedema é aquele inchaço desconfortável que surge no braço da mulher quando é preciso retirar os gânglios linfáticos da axila. Ele afeta uma parcela significativa das pacientes e prejudica tarefas simples do dia a dia.

Transplante após o câncer é um avanço

A boa notícia é que com o avanço da medicina o transplante de linfonodo desponta como uma alternativa moderna e revolucionária para resolver esse problema de vez. A técnica consiste em pegar linfonodos de uma região doadora rica do próprio corpo, como a área intra-abdominal (entre o estômago e o intestino). Depois retirar uma parte e colocar no braço afetado, reestruturando todo o sistema de drenagem de forma segura.

A grande sacada desse procedimento é que ele ataca a raiz do problema. Por isso, o cirurgião plástico Guilherme Sedícias faz um alerta fundamental sobre o tempo e as expectativas do tratamento. “O transplante de linfonodo funciona como um tratamento adjuvante maravilhoso, que reduz o inchaço e diminui drasticamente as sessões de fisioterapia. Mas ele não dispensa os cuidados preventivos e a fisioterapia linfática, pois ainda não é uma cura definitiva”, explica o médico.

O melhor momento para a operação

Ele reforça que o momento de operar faz toda a diferença. “O ideal é realizar a cirurgia o quanto antes, de forma precoce, seja no momento do tratamento do câncer ou logo após os primeiros sinais do linfedema, porque em casos muito avançados e agressivos, o tecido sofre alterações profundas e os ganhos já não são tão satisfatórios.”

“Queremos que as mulheres saibam que o braço inchado não precisa ser uma sentença para o resto da vida. O transplante devolve a liberdade e a autoestima”, conclui.

No SUS

Apesar de ser uma cirurgia sofisticada que exige alta tecnologia como microscópios cirúrgicos especiais e fios ultrafinos de microcirurgia, o procedimento já é uma realidade possível no (SUS) Sistema Único de Saúde. O cenário nacional ainda enfrenta o desafio da escassez de especialistas nessa área, no Brasil, existe cerca de 10 cirurgiões plásticos com o treinamento necessário para executar essa técnica complexa. Mesmo não sendo um procedimento de rotina nos hospitais do SUS devido às exigências de equipamentos de ponta, o avanço da cobertura pública para essa tecnologia abre uma janela de esperança imensa para milhares de brasileiras que buscam recuperar o bem-estar e o controle sobre seus próprios corpos.