A segunda temporada da série chega com uma história ainda mais profunda
Dois anos depois do lançamento da primeira temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para, a nova leva de episódios da série chega a HBO Max no dia 8 de novembro. Dessa vez, expandindo ainda mais o universo que começou lá em 2002. Segundo Aly Muritiba, diretor da série, a nova temporada vai manter as marcas conhecidas de Cidade de Deus, ao mesmo tempo que se aprofunda ainda mais na cultura da comunidade, nos dramas internos e na expansão das milícias no Rio de Janeiro.

Aly também afirmou, em coletiva de imprensa, que não poderia deixar de fora a retratação de pessoas que lutam para afastar os moradores da comunidade do tráfico. “Quem vive nas comunidades ou quem vai às comunidades sabe que isso acontece e é muito bonito que isso aconteça. Esses núcleos que se relacionam com a vida em comunidade e que não tem, necessariamente, ligação direta com o crime, estão presentes na segunda temporada de maneira muito forte. Isso é visto de maneira mais frontal, mais clara, mais límpida”, disse o diretor.
Um quê político
Além de todos esses temas, a série também vai trazer para a televisão um lado mais político, e a responsável por isso será Roberta Rodrigues, que interpreta Berenice. Na segunda temporada, a personagem, agora eleita vereadora, entra na política do Rio confrontar milícias ligadas ao poder do Estado. “A Berenice é uma resistência. Ela vai precisar dar um passo atrás e enfrentar pessoas que ela tem pavor para conseguir a justiça que ela tanto almeja. É literalmente uma luta que não pára nunca.”
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Conflito interno
Quem também volta ao universo é Cenoura, interpretado por Matheus Nachtergaele. No final do filme, em 2002, o personagem foi preso, e agora volta a viver na comunidade a pedido dos moradores, numa tentativa de conter a violência dos jovens envolvidos no crime. “Não se faz dele um herói, nem se fez isso na época do primeiro filme. Ele é um cara envolvido com crime, mas que tem sua ética. Nessa nova temporada, ele é trazido de volta e vai tentar domar essa violência e ensinar algum tipo de ética da bandidagem, se é que isso existe. Acho que existe”, pontuou.
Quem também terá sua história aprofundada é Jerusa, personagem de Andréia Horta. A advogada segue firme em sua jornada pessoal de vingança, enquanto trabalha como articuladora que forma um elo entre a milícia e o Estado. “A Jerusa representa tudo o que eu acho que temos que combater como sociedade: a violência como forma de comunicação e de poder. Eu acho muito importante poder, através da ficção, se perguntar o tempo todo, como é o caso dessa segunda temporada, especificamente: o que a gente está construindo como país e o que a gente deseja construir como país?”, refletiu a atriz.