Especialista em finanças explica como o consumo por impulso afeta o bolso e o bem-estar, e dá três dicas simples para começar a poupar sem culpa
Basta deslizar o dedo pela tela do celular para comprar roupas, pedir comida, assinar um serviço ou garantir aquele eletrônico em promoção. Tudo pode ser parcelado e chega na porta de casa. Por alguns instantes, vem a sensação gostosa de problema resolvido. Guardar dinheiro, por outro lado, não oferece essa recompensa imediata. Talvez por isso tanta gente saiba que precisa poupar, mas não consiga transformar a boa intenção em rotina.

Para o empreendedor e consultor em finanças Tony Diniz, a dificuldade tem menos a ver com falta de disciplina e mais com o ambiente em que vivemos. “Nunca foi tão fácil gastar. Estamos cercados de ofertas e mensagens que associam felicidade, reconhecimento e sucesso ao que compramos. Nesse cenário, é fácil confundir o que precisamos com o que fomos convencidos a desejar”, afirma Tony, que também é autor do livro Pobreza é Opção?, da LC Books Editora.
Quando a compra vira válvula de escape
O especialista faz questão de tirar o peso da culpa: comprar algo que dá prazer não é errado. O sinal de alerta aparece quando o consumo deixa de ser uma escolha consciente. “O problema começa quando comprar vira resposta automática ao tédio, à ansiedade ou à vontade de acompanhar os outros”, explica Tony. Nesse ponto, a questão deixa de ser apenas financeira e passa a envolver emoções e a forma como lidamos com elas.
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Celebrado em 31 de outubro, o Dia Mundial da Poupança é um bom pretexto para olhar com mais atenção para essa relação. E, segundo Tony, o segredo não está em guardar o que sobra no fim do mês, mas em planejar os gastos para que poupar também faça parte das prioridades.
Três atitudes para começar hoje
1. Crie uma pausa entre o desejo e a compra. Antes de finalizar o pedido, Tony sugere algumas perguntas: “Eu já pretendia comprar isso? Cabe no orçamento? O que vou precisar deixar de fazer para pagar?”. Se as respostas não estiverem claras, a recomendação é esperar pelo menos 72 horas. Muitas vezes, o impulso passa.
2. Automatize o ato de guardar. Assim que o salário cair, transfira uma quantia compatível com a sua realidade para uma reserva separada das despesas do dia a dia. “Pode ser pequena. O objetivo é reduzir a dependência da força de vontade”, orienta.
3. Acompanhe os resultados. Ver o dinheiro crescendo, e saber para que ele vai servir, muda a percepção sobre o esforço. “Poupar deixa de ser renúncia e vira possibilidade: enfrentar uma emergência, mudar de emprego, realizar um projeto, fazer uma viagem ou ter mais tranquilidade diante de imprevistos”, diz Tony.
Sem culpa para quem não consegue
O consultor também lembra que nem todo mundo tem renda suficiente para guardar dinheiro. “Quando o dinheiro não cobre sequer o essencial, a solução não é a culpa, e sim considerar as condições econômicas, as oportunidades de trabalho e as necessidades de cada família”, pondera.
Para quem tem alguma margem no orçamento, a data pode ser uma oportunidade de rever hábitos e definir um primeiro objetivo. “Guardar significa abrir mão do consumo de hoje para preservar possibilidades no amanhã. E isso não é fácil numa sociedade que estimula a querer tudo já”, reconhece.
Ele deixa uma pergunta para reflexão: você está decidindo o que fazer com seu dinheiro ou deixando que os estímulos ao redor decidam por você? “A resposta pode revelar mais sobre sua vida financeira do que o saldo da conta”, conclui.