Ana Castela fala sobre bullying que sofreu na escola

Publicidade

Especialistas falam como ajudar as crianças a combater esse problema

A cantora Ana Castela deu uma declaração no programa da Tatá Werneck afirmando que
durante o período da escola sofria bullying. As criticas das outras crianças eram em relação aos
tamanhos das orelhas da cantora. O tema não é nenhuma novidade, mas é essencial discutir e
conscientizar sobre essa questão que afeta uma parte significativa da população. Segundo um
levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 23%
dos brasileiros declararam ter sofrido bullying em algum momento de suas vidas.

Ana Castela fala sobre bullying que sofreu na escola
Foto: Reprodução/Instagram

Consequências do bullying

Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade King’s College London, crianças que sofrem
bullying repetidamente têm maior risco de desenvolver problemas de saúde mental a longo
prazo. O estudo mostra que o bullying altera a estrutura do cérebro, especialmente na região
do córtex cerebral, que é responsável por funções como memória, atenção e controle
emocional. Além disso, a pesquisa aponta que vítimas desse problema podem apresentar um risco
40% maior de desenvolver transtornos como depressão e ansiedade na vida adulta.
“Os danos do bullying não se limitam ao presente”, afirma a pediatra Flávia de Freitas Ribeiro,
especialista em psiquiatria infantil. “Essas alterações no cérebro podem resultar em
dificuldades emocionais e de socialização ao longo de toda a vida, reforçando a importância de
uma intervenção precoce.”

O que fazer quando reconhecer o bullying

Ao perceber que uma criança está sofrendo bullying, muitos pais podem se sentir impotentes
ou não saber como agir de forma efetiva. De acordo com a Dra. Flávia, o primeiro passo é criar
um ambiente seguro e aberto em casa, onde a criança sinta que pode compartilhar suas
experiências sem medo de represálias ou julgamentos.
“A escuta ativa é fundamental. Muitas crianças podem não falar abertamente sobre o bullying
por vergonha ou medo de piorar a situação. Por isso, os pais precisam ficar atentos a sinais
indiretos”, orienta a pediatra.
Ainda segundo a psicóloga clínica e escolar da Legacy School, Camila da Silva Conceição, para
combater o bullying nas escolas é preciso promover o respeito e empatia: “Ensine as crianças a
respeitarem as diferenças e a se colocarem no lugar dos outros. A empatia é uma ferramenta
poderosa contra o bullying. Incentive os alunos a falarem sobre suas experiências e
sentimentos. Uma linha de comunicação aberta entre pais, alunos e professores é essencial
para identificar e resolver problemas de bullying. Realize palestras e workshops para educar a
comunidade escolar sobre o que é bullying, suas consequências e como agir. Professores e
funcionários devem estar atentos aos sinais de bullying durante as atividades escolares e nos
intervalos. Estabeleça uma política clara contra o bullying, com consequências definidas e
consistentes para os infratores.

Como reconhecer

Teresa Daltro, pedagoga e diretora da Rede Daltro, explica que o bullying é um problema sério
que afeta o bem-estar e o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Envolve
comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, que podem causar danos físicos,
emocionais e psicológicos às vítimas. A especialista oferece orientações sobre como identificar
o problema:

· Comportamentos repetitivos: Agressões físicas, verbais ou psicológicas que se repetem
ao longo do tempo.

•Intenção de causar dano: Ações deliberadas com o objetivo de machucar ou intimidar a
vítima.

•Desigualdade de poder: Agressor e vítima estão em posições desiguais, seja por força física,
status social ou outros fatores.

•Mudanças no comportamento da vítima: Observação de sinais de ansiedade, depressão,
evasão escolar, queda no desempenho acadêmico, entre outros.