Nós amamos odiá-las!
Elas provocam revolta, despertam fascínio e, muitas vezes, acabam conquistando a torcida do público. As grandes vilãs da teledramaturgia brasileira foram o tema do Conversa com Bial desta terça-feira (28), que reuniu Susana Vieira e Lilia Cabral, que deram vida a algumas das vilãs mais marcantes da TV, e Isabel Teixeira, que está atualmente no ar em Quem Ama Cuida como Pilar Brandão, para um bate-papo sobre personagens marcantes, bastidores das novelas e a evolução das antagonistas na televisão.

Uma linha tênue e as mudanças
Isabel Teixeira comentou que interpretar uma vilã exige encontrar a verdade por trás das atitudes da personagem. “A atriz vive de subtexto. A personagem fala uma coisa e pensa outra. E pensamento aparece. Aprendi com o diretor Walter Carvalho que a câmera filma pensamento”, explicou.
Lilia Cabral deixou claro durante o bate-papo que acredita que a forma de construir essas personagens mudou bastante ao longo dos anos. Para a atriz, as novelas deixaram de apostar apenas em vilões claramente definidos para apresentar figuras mais complexas e humanas. “Acho que antigamente era necessário deixar muito claro para o público quem era o vilão. Houve uma evolução da linguagem. Isso não significa que os vilões deixaram de existir, mas que ficou cada vez mais importante buscar uma verdade interna”, analisa.
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Um amor com ódio
O carinho — ou a raiva — do público também entrou em pauta. Isabel contou que tem se divertido com as reações de quem acompanha a novela. “O que eu estou curtindo mesmo é ser xingada. Quando alguém me encontra e reclama da Pilar, eu digo: ‘Pode xingar!’. É sinal de que a personagem chegou nas pessoas”, brincou.
Durante a conversa, Susana Vieira relembrou Branca Letícia de Barros Mota, uma de suas personagens mais inesquecíveis, da novela Por Amor (1997). Segundo a atriz, boa parte da força da vilã estava nos diálogos escritos por Manoel Carlos. “A vilania dela era o texto. Ela sentava à mesa, pedia duas torradas e dizia coisas terríveis. Depois descobri que o Manoel Carlos colocava nela muitas das críticas que fazia à sociedade”, recorda.
Quem é mais?
A lembrança abriu espaço para uma reflexão sobre o verdadeiro significado da maldade nas novelas. Afinal, quem é mais vilão: quem destila crueldade em palavras, ou quem toma decisões capazes de transformar vidas? Para Lilia, a resposta nem sempre é tão simples. “Quem é mais vilã? A pessoa que fala barbaridades ou alguém que toma uma decisão como trocar bebês (como foi o caso da protagonista Helena, interpretada por Regina Duarte, também em Por Amor), por exemplo? Às vezes a vilania está em um gesto, numa escolha aparentemente silenciosa.”
Além do bate-papo, as três atrizes reviveram expressões, olhares e momentos marcantes de personagens que ajudaram a escrever a história da dramaturgia brasileira, mostrando por que, no fim das contas, o público adora odiar uma boa vilã. Vale a pena conferir!