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Cardiologista explica por que frio intenso pode aumentar pressão arterial, sobrecarregar o sistema cardiovascular e elevar risco de infarto e AVC
Com a chegada do inverno, aumenta também a preocupação com a saúde cardiovascular. Embora muita gente associe as baixas temperaturas apenas a gripes e desconfortos respiratórios, especialistas alertam que o frio pode representar um desafio importante para o coração, especialmente entre idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas com histórico de doenças cardiovasculares.
Estudos mostram aumento de internações por infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e descompensações cardiovasculares durante períodos frios. Isso acontece porque o organismo reage às baixas temperaturas com mecanismos fisiológicos que elevam a demanda cardíaca e alteram o funcionamento da circulação sanguínea.
O frio faz o coração trabalhar mais
Quando a temperatura cai, o corpo ativa mecanismos para preservar calor, incluindo a contração dos vasos sanguíneos, fenômeno chamado vasoconstrição. Esse processo pode aumentar esforço do sistema cardiovascular.
“No frio, o organismo promove vasoconstrição para preservar a temperatura corporal. Isso pode elevar a pressão arterial e aumentar a carga de trabalho do coração, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovasculares ou doença cardíaca estabelecida”, explica o cardiologista Vitor de Holanda.
A pressão arterial pode subir nos dias frios
Muitas pessoas percebem aumento da pressão no inverno sem entender a causa. Especialistas explicam que a contração dos vasos sanguíneos favorece esse comportamento fisiológico.
“Durante períodos frios, observamos tendência de elevação pressórica em parte dos pacientes. Em pessoas hipertensas, esse fenômeno merece atenção maior porque pode aumentar risco de eventos cardiovasculares quando não existe controle adequado”, afirma Vitor de Holanda.
Infarto e AVC podem se tornar mais frequentes no inverno
Pesquisas epidemiológicas mostram aumento de eventos cardiovasculares em períodos de frio intenso, principalmente em grupos mais vulneráveis.
“O frio pode funcionar como fator desencadeante em pessoas predispostas porque existe maior estresse cardiovascular. Pacientes com doença arterial coronariana, hipertensão, diabetes ou histórico de AVC precisam reforçar cuidados nessa época”, explica o especialista.
Sedentarismo do inverno também pesa contra o coração
Com temperaturas baixas, muitas pessoas reduzem caminhadas, exercícios físicos e atividades ao ar livre. O problema é que isso pode impactar circulação, controle metabólico e saúde cardiovascular.
“O inverno favorece comportamento mais sedentário, e isso interfere diretamente em fatores como pressão arterial, glicemia, colesterol e condicionamento físico. Mesmo nos dias frios, manter algum nível de atividade é importante”, orienta o médico.
Mudanças bruscas de temperatura merecem atenção
Sair de ambientes aquecidos para locais muito frios, especialmente nas primeiras horas da manhã, pode gerar impacto cardiovascular maior em pessoas predispostas.
“A exposição súbita ao frio intenso pode aumentar demanda cardíaca e provocar maior instabilidade em pacientes com doença cardiovascular conhecida. Idosos e pacientes coronariopatas precisam ter atenção redobrada”, afirma Vitor de Holanda.
Dor no peito, falta de ar e mal-estar não devem ser ignorados
No frio, algumas pessoas tendem a minimizar sintomas ou atribuí-los apenas ao cansaço ou ao clima. Especialistas alertam que sinais cardiovasculares precisam ser valorizados.
“Dor no peito, sensação de aperto, falta de ar, suor frio, palpitações ou mal-estar importante merecem avaliação médica, especialmente quando surgem de forma súbita ou diferente do habitual”, explica o cardiologista.
Pequenos hábitos ajudam a proteger o coração no inverno
A prevenção cardiovascular continua sendo uma das principais estratégias para reduzir riscos durante os meses frios.
“Controle da pressão arterial, uso correto das medicações, alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física regular e acompanhamento médico são pilares fundamentais. O frio aumenta o desafio cardiovascular, mas hábitos saudáveis reduzem bastante os riscos”, conclui Vitor de Holanda.