A perimenopausa voltou a ganhar espaço nas discussões sobre saúde da mulher
A perimenopausa voltou a ganhar espaço nas discussões sobre saúde da mulher depois que as atrizes Penélope Cruz e Olivia Wilde falaram recentemente sobre essa fase da vida.
Penélope revelou que começou a apresentar sintomas aos 41 anos e que se surpreendeu ao descobrir que a transição hormonal poderia durar mais de uma década. Já Olivia comentou sobre sintomas pouco conhecidos, como a possível relação entre o chamado “ombro congelado” e a perimenopausa.
Os relatos reacenderam um debate importante. Afinal, até que ponto alterações como ansiedade, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e mudanças de humor podem estar relacionadas aos hormônios e não apenas ao estresse da rotina?
Embora a menopausa seja amplamente conhecida, a perimenopausa ainda gera muitas dúvidas e costuma passar despercebida por anos. Como essa fase pode começar antes dos 45 anos e apresentar sintomas variados, muitas mulheres procuram diferentes especialistas antes de chegar ao consultório do ginecologista e receber o diagnóstico correto.
Reconhecer precocemente essa transição hormonal pode fazer diferença na qualidade de vida e permitir uma abordagem individualizada para aliviar os sintomas e preservar a saúde física e emocional da mulher ao longo desse período.
Ansiedade, insônia ou perimenopausa? Os sintomas que muitas mulheres ainda confundem
1 – O que é a perimenopausa e por que ela ainda é tão pouco reconhecida pelas mulheres?
A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa, marcado por oscilações hormonais e mudanças no ciclo menstrual. Ela costuma começar na faixa dos 40 e poucos anos, mas pode ter início mais cedo ou mais tarde. O reconhecimento ainda são difíceis porque os sintomas são bastante variados e podem aparecer antes de alterações menstruais muito evidentes. Além das ondas de calor, podem ocorrer alterações do sono, mudanças de humor, ansiedade, dificuldade de concentração e fadiga. Além de outros sintomas que muitas mulheres não associam imediatamente à transição hormonal. Um estudo publicado em 2026 na revista Menopause, com mais de 17 mil mulheres de 158 países, mostrou justamente que existe uma diferença importante entre o que as mulheres sabem sobre os sintomas da perimenopausa e aquilo que efetivamente relatam vivenciar.
2- Quais sintomas costumam causar confusão com ansiedade, estresse ou burnout?
Alterações do sono, irritabilidade, ansiedade, fadiga, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento estão entre os sintomas geralmente interpretados apenas como consequência de uma rotina sobrecarregada. A oscilação hormonal durante a perimenopausa pode contribuir para essas manifestações. Seja de forma direta ou indiretamente, inclusive porque sintomas como ondas de calor e alterações do sono podem piorar o bem-estar emocional. Uma meta-análise publicada recentemente, que reuniu 102 estudos e mais de 1,1 milhão de mulheres, encontrou uma frequência relevante de sintomas de ansiedade, depressão e insônia durante a transição menopausal. Isso não significa, porém, que toda ansiedade ou insônia nessa fase tenha origem hormonal. Fatores psicológicos, sociais, ambientais e a própria história de saúde da mulher também pesam.
3 – Como diferenciar alterações hormonais de um transtorno de ansiedade ou de um período de sobrecarga emocional?
Não existe um único sintoma ou exame que permita fazer essa distinção isoladamente. O diagnóstico é clínico e leva em consideração a idade, o padrão menstrual e a evolução dos sintomas. Além do histórico pessoal e familiar e a presença de outras condições que possam explicar as queixas. A relação temporal entre as alterações do ciclo e o surgimento ou intensificação dos sintomas pode oferecer pistas importantes. Ao mesmo tempo, ansiedade, depressão e outros transtornos podem coexistir com a perimenopausa e não devem ser atribuídos automaticamente aos hormônios. Por isso, quando os sintomas são intensos, persistentes ou interferem na vida cotidiana, é importante uma avaliação individualizada e, quando necessário, uma abordagem multidisciplinar.
4 – A partir de que idade a mulher deve ficar atenta aos primeiros sinais e procurar um ginecologista?
Não existe uma idade única para todas as mulheres. A perimenopausa costuma começar em meados dos 40 anos, mas os primeiros sinais podem surgir antes disso. Mudanças persistentes no padrão menstrual, ondas de calor, alterações importantes do sono, mudanças de humor, ansiedade, dificuldade de concentração ou outros sintomas novos nessa fase justificam uma conversa com o ginecologista. Quando os sintomas aparecem antes dos 40 anos, a investigação merece atenção especial, porque pode haver insuficiência ovariana prematura ou outras causas que precisam de avaliação. Mais importante do que esperar uma idade específica é observar mudanças no próprio padrão e procurar avaliação quando elas começam a afetar a qualidade de vida.