Montanha-russa pode machucar a coluna?

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Caso envolvendo Hopi Hari chama atenção para os efeitos de acelerações, freadas e mudanças repentinas de direção sobre pescoço e coluna

A reportagem exibida pelo Fantástico no domingo (20) sobre acidentes envolvendo a montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, colocou em evidência os impactos que atrações radicais podem provocar no corpo. O caso de uma jovem de 28 anos que sofreu traumatismo cranioencefálico após andar no brinquedo é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A própria sinalização da atração contraindica seu uso por pessoas com problemas na coluna, segundo informações divulgadas pelo parque.

Quem já sabe que tem um problema na coluna não deve ignorar as restrições da montanha-russa
Quem já sabe que tem um problema na coluna não deve ignorar as restrições da montanha-russa - Foto: Magnific

A montanha-russa é perigosa para todos?

Segundo o ortopedista e especialista em coluna, André Evaristo Marcondes, montanhas-russas submetem o corpo a acelerações, desacelerações e mudanças rápidas de direção, capazes de gerar movimentos bruscos especialmente na região cervical. “Quando o carrinho acelera, freia ou muda de direção rapidamente, a cabeça e o tronco podem sofrer movimentos de flexão, extensão e rotação. Na maioria das pessoas saudáveis isso não provoca uma lesão importante, mas existe uma sobrecarga e a susceptibilidade individual faz diferença”, explica.

Quem é mais suscetível ao problema?

A literatura médica registra lesões cervicais e lombares associadas a montanhas-russas, embora eventos graves sejam considerados incomuns. Há relatos de hérnias de disco, distensões, fraturas e outras lesões, e estudos indicam que condições prévias podem aumentar a vulnerabilidade aos efeitos dessas forças.

Pessoas com hérnia de disco sintomática, artrose importante, instabilidade da coluna, histórico de fraturas, problemas cervicais ou que passaram recentemente por uma cirurgia devem ter atenção redobrada e respeitar as contraindicações informadas pela atração.

“Quem já sabe que tem um problema na coluna não deve ignorar as restrições do brinquedo. Dependendo da condição, aquele movimento brusco pode exacerbar uma dor existente ou desencadear sintomas neurológicos. Em caso de dúvida, principalmente após uma cirurgia ou diante de uma doença já diagnosticada, o ideal é conversar com o médico antes de participar desse tipo de atração”, orienta o médico.

Atenção aos cuidados!

Para quem não possui contraindicações, algumas medidas simples também ajudam: respeitar integralmente as instruções de segurança, utilizar corretamente todos os dispositivos de contenção e manter o corpo na posição indicada durante o percurso. Não há, porém, uma técnica capaz de eliminar totalmente as forças produzidas por uma atração radical.

Depois do passeio, dores musculares leves e passageiras podem ocorrer, mas alguns sinais merecem atenção. Dor intensa ou que piora, formigamento persistente, perda de sensibilidade, fraqueza nos braços ou pernas ou dificuldade para caminhar justificam avaliação médica.

“Não é preciso criar medo em relação às montanhas-russas. O importante é entender que atrações radicais submetem o corpo a forças que não fazem parte da nossa rotina. Respeitar as contraindicações e não banalizar sintomas após o passeio são as principais formas de reduzir riscos”, conclui o especialista.