Esclerose múltipla: entenda os riscos de ignorar os sintomas

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Melhora temporária de manifestações neurológicas pode atrasar a busca por atendimento; novos critérios de diagnóstico ampliam o uso de biomarcadores

Dormência, formigamento, perda de força, alterações na visão, tontura e fadiga podem desaparecer depois de alguns dias ou semanas. Na esclerose múltipla, porém, a melhora dos sintomas não significa necessariamente que a doença deixou de estar presente, e esse comportamento pode fazer com que pacientes adiem a investigação.

Divulgação

Segundo o neurologista parceiro da Binding Site, Davi Queiroz, a inflamação provocada pela doença pode afetar temporariamente a transmissão dos impulsos nervosos. Com o recuo da inflamação, o organismo recupera parte da função, o que leva o paciente a acreditar que o problema era passageiro.

“Quando o sintoma melhora, a pessoa pode deixar de procurar atendimento. O problema é que, posteriormente, pode surgir um novo sintoma ou serem identificadas novas lesões na ressonância magnética”, explica o especialista.

Os médicos estabelecem o diagnóstico em semanas ou meses quando identificam um primeiro episódio típico e realizam a investigação de forma adequada. Já manifestações leves, inespecíficas ou que desaparecem sem avaliação podem fazer com que o processo leve anos.

De acordo com Davi, o desafio está também na variedade de sintomas. “Visão dupla, dor ao movimentar os olhos, perda de força, dormência persistente, desequilíbrio importante e dificuldade para caminhar são alguns sinais que justificam avaliação neurológica”. Ele explica que na esclerose múltipla, os sintomas geralmente evoluem ao longo de horas ou dias e permanecem por mais de 24 horas. Já manifestações que surgem de forma súbita, em minutos, exigem atendimento de urgência.

Investigação + histórico clínico

O especialista destaca que a investigação da doença combina histórico clínico, exame neurológico, ressonância magnética e, em alguns casos, análise do líquor. Com isso, nesse processo, os avanços recentes nos biomarcadores podem ajudar a reduzir as incertezas.

As revisões de 2024 dos critérios de McDonald passaram a reconhecer o índice de cadeias leves kappa, ou índice kappa, como alternativa às bandas oligoclonais para demonstrar a produção de imunoglobulinas no sistema nervoso central. Plataformas automatizadas processam o índice kappa, que é quantitativo. As equipes do laboratório realizam a etapa analítica em cerca de 20 minutos, embora a rotina de cada instituição determine o prazo de liberação do resultado.

“É um avanço importante para tornar a investigação mais ágil e padronizada. O índice kappa, porém, não confirma a esclerose múltipla isoladamente, precisa ser interpretado junto aos sintomas, exame neurológico e ressonância magnética”, afirma o médico.

Para o especialista, mesmo quando um sintoma desaparece, a orientação é não ignorar o episódio. “Registrar quando começou, quanto tempo durou e como evoluiu pode ajudar o neurologista a identificar a causa e, quando necessário, acelerar a investigação”, finaliza.