7 mitos sobre doenças crônicas que podem prejudicar o tratamento

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Especialista desmistifica crenças populares que prejudicam a adesão ao tratamento e a qualidade de vida de milhões de brasileiros

Condições como diabetes, hipertensão, artrite, asma, fibromialgia e doenças autoimunes fazem parte da realidade de grande parte da população. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do Ministério da Saúde com o IBGE, 52% das pessoas de 18 anos ou mais receberam diagnóstico de pelo menos uma doença crônica. No entanto, apesar de serem comuns, o diagnóstico de uma doença crônica ainda é cercado por estigmas, medo e, principalmente, desinformação.

As crenças e os mitos repassados de geração em geração não apenas causam sofrimento psicológico, mas também podem afastar o paciente do tratamento adequado. Para esclarecer o que é fato e o que é mentira, Guilherme Marques, diretor médico da Cannect, ecossistema de saúde voltado ao cuidado de pacientes com doenças crônicas, lista as 7 maiores mentiras sobre doenças crônicas:

1. “Doença crônica é sinônimo de invalidez.”

Mentira. Receber o diagnóstico não significa o fim da vida ativa. Com o avanço da medicina, o acompanhamento correto e o uso de terapias adequadas, a maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas, trabalhar, praticar esportes e ter uma vida  com qualidade.

2. “Se os sintomas sumiram, já posso parar de tomar os remédios.”

Mentira. Esse é um dos erros mais perigosos e comuns. Chama-se a de “crônica” por conta de sua duração ou persistência – não necessariamente por não ter cura. A ausência de sintomas geralmente, pode ser consequência do controle obtido com o tratamento, portanto, interromper a medicação por conta própria pode causar recaídas graves e agravar o quadro.

3. “Doença crônica é coisa de gente idosa.”

Mentira. Embora a prevalência aumente com o envelhecimento, jovens, adolescentes e até crianças convivem com doenças crônicas. O diabetes tipo 1, a asma, a epilepsia e diversas doenças autoimunes e neurológicas também podem acometer crianças, adolescentes e adultos jovens. 

4. “A culpa de ficar doente é sempre do estilo de vida da pessoa.”

Mentira. Hábitos saudáveis são fundamentais, mas a genética, fatores ambientais, histórico familiar, o funcionamento do sistema imunológico e condições de acesso à saúde, desempenham papéis cruciais. Culpabilizar o paciente é injusto e ignora a complexidade da biologia humana.

5. “Quem tem doença crônica não deve fazer exercícios físicos.”

Mentira. Exceto em fases agudas específicas ou sob restrição médica direta, a atividade física não só é permitida, como é considerada parte fundamental do tratamento de doenças como hipertensão, diabetes, fibromialgia e problemas reumatológicos. O movimento fortalece o corpo, reduz dores, traz benefícios sobre capacidade funcional, melhora a saúde cardiovascular e metabólica, a saúde mental e, em determinadas condições, alívio da dor 

6. Outros tipos de tratamento

Produtos naturais ou terapias complementares não devem ser tratados como alternativas automaticamente seguras e eficazes. Algumas intervenções, incluindo fitoterápicos e tratamentos à base de canabinoides, podem ter indicação em contextos clínicos específicos, mas a evidência varia de acordo com a condição, o produto, a composição e a dose. Por isso, sua utilização deve fazer parte de uma decisão clínica individualizada e não de uma promessa de substituição ou cura.

7. “As doenças crônicas afetam apenas a saúde física.”

Mentira. O impacto na saúde mental é significativo. Conviver com a dor diária, a fadiga ou a necessidade de monitoramento constante pode gerar altas taxas de estresse, ansiedade e depressão. Tratar uma doença crônica exige um olhar multidisciplinar e que leve em consideração os sintomas físicos, a saúde mental, a funcionalidade, o contexto social e o impacto da condição na vida cotidiana  do paciente.

“O diagnóstico de uma condição crônica assusta, mas informação de qualidade permite compreender a doença, tomar decisões compartilhadas e participar ativamente do próprio tratamento para devolver a autonomia ao paciente. Quando quebramos esses mitos, mostramos que é totalmente possível por ‘participar de forma mais ativa das decisões sobre a própria saúde e viver com qualidade e bem-estar”, destaca Marques.