Escape de urina durante corrida ou treino é comum, mas não deve ser normalizado; conheça essa condição
Já aconteceu com você? Durante a corrida, parte da sua urina é liberada sem controle, causando surpresa e, em certos casos, até constrangimento. Você pensa: “talvez, essa ocorrência seja corriqueira; é bem provável que aconteça com outras mulheres como eu”. De fato, pode afetar outras mulheres, mas não é indicado normalizar essa situação.

“É importante diferenciar algo que é frequente de algo que deve ser considerado normal. A perda urinária durante o exercício é relativamente comum entre mulheres, mas não precisa ser encarada como uma consequência inevitável da corrida, do envelhecimento ou da maternidade”, pondera o ginecologista Guilherme Henrique Santos, da Onne Clinic, no Rio de Janeiro. Ou seja, é necessário observar com mais atenção os escapes para compreender melhor essa condição ao consultar um especialista em saúde feminina.
Por que se perde urina?
Durante uma corrida, treino, realização de salto, levantamento de peso ou outros exercícios de impacto, ocorre um aumento da pressão dentro do abdômen, que é transmitida para a região pélvica. O assoalho pélvico (conjunto de músculos, ligamentos e tecidos que seguram bexiga, útero e intestino) participa desse mecanismo, ajudando a sustentar os órgãos da pelve e a manter o fechamento da uretra. No entanto, quando a musculatura não consegue responder a esse aumento de pressão, pode acontecer a perda involuntária de urina.
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Isso significa que está ocorrendo uma alteração da força muscular nessa região corporal? Não, necessariamente. “Em algumas mulheres, pode haver dificuldade de coordenação entre o assoalho pélvico, o abdômen e a respiração durante o movimento. Por isso, atividades de maior impacto podem revelar uma perda urinária que não aparece no dia a dia”, esclarece o médico.
Essa condição tem um nome: incontinência urinária de esforço. Ela pode aparecer não só durante a realização de exercícios físicos, como também ser uma consequência de outros tipos de esforços, como o ato de espirrar, de rir ou durante a tosse.
Quando procurar ajuda?
É essencial buscar orientação médica quando as perdas de urina se tornam recorrentes, aumentam de intensidade ou começam a interferir na rotina. Para perceber melhor a extensão dessa condição, observe se você deixou de realizar determinado exercício físico ou reduziu a intensidade do treino para não urinar sem querer. Nesse caso, conversar com o médico é fundamental.
“Também se indica a avaliação quando a mulher não tem certeza se o que apresenta é realmente uma incontinência urinária de esforço”, adverte o ginecologista. Isso porque, é preciso diagnosticar corretamente o tipo de incontinência para definir a melhor estratégia de tratamento.
Como tratar?
O tratamento depende da causa, da intensidade dos sintomas e das características de cada mulher. Um dos recursos mais comuns é a fisioterapia pélvica. Essa terapia trabalha especificamente a musculatura do assoalho pélvico, desenvolvendo força, resistência, capacidade de contração e de coordenação adequadas.
O fortalecimento do core (músculos localizados no centro do corpo) também pode contribuir. Isso porque, existe uma relação funcional entre abdômen, lombar, quadril e assoalho pélvico. Assim, o objetivo do fortalecimento é melhorar a estabilidade e a coordenação da região central do corpo durante os movimentos, especialmente em atividades que aumentam a pressão abdominal.
Além disso, em determinados casos, o laser de CO₂ (dióxido de carbono) pode fazer parte da abordagem terapêutica. A proposta é atuar sobre a qualidade dos tecidos da região vaginal, estimulando processos relacionados à remodelação do colágeno. Quem faz a indicação é o médico, uma vez que cabe a ele considerar o quadro clínico e as necessidades de cada paciente.
A importância do core
Core é um grupo de músculos que circunda nosso centro corporal. É formado por músculos abdominais, das regiões lombar e pélvica, e também do quadril. Os especialistas recomendam um core forte e estável, uma vez que essa musculatura responde pela sustentação e estabilização de praticamente todos os movimentos do nosso corpo.
Orientações para quem se exercita
“Se eu notar o escape, preciso parar de correr?”
Não. Basta buscar ajuda médica e fazer o tratamento indicado para resolver o problema.
“É preciso adaptar os exercícios durante o tratamento?”
Sim. O especialista vai instruir como adaptar. Tenha em mente que o fortalecimento do assoalho pélvico vai aumentar o controle urinário.
“Ouvi dizer que essa condição não combina com atividade física. É verdade?”
Não é verdade. Atividades físicas são vitais para a saúde. É possível contornar o escape de urina com o tratamento correto.