Solidão na terceira idade pode reduzir anos de vida saudável

Publicidade

Pesquisa com 277 mil adultos associa a falta de vínculos sociais à redução do período de vida sem problemas de saúde mental. Especialista destaca a importância de atividades significativas e do fortalecimento das relações afetivas no envelhecimento.

Um estudo publicado recentemente na revista científica Nature Communications e repercutido pelo MarketWatch acende um alerta sobre os impactos da falta de vínculos sociais na saúde e na qualidade de vida durante o envelhecimento. A análise, realizada com 277.489 adultos, indica que esses fatores podem reduzir o período de vida vivido com saúde. Entre os homens, eles estão associados a uma redução de aproximadamente 5,8 anos no tempo de vida sem problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Os dados chamam a atenção para a necessidade de olhar além da longevidade e priorizar também o bem-estar físico e emocional na terceira idade.

Foto de Matt Bennett na Unsplash

De acordo com Joyce Duarte Caseiro, médica e fundadora do residencial sênior Terça da Serra, a solidão e o isolamento social aumentam em 50% o risco de desenvolvimento de demência, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já soma 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Esse número que deve chegar a 61,5 milhões nas próximas duas décadas. Esse cenário traz novos desafios para as famílias, já que, por mais que exista um cuidado das famílias com a alimentação e as medicações desse público, a questão da conexão social acaba, por muitas vezes, negligenciada”, explica.

O que fazer?

A profissional pontua que é preciso sempre fazer um trabalho para que as pessoas idosas sintam que têm um propósito de vida. “É possível fazer isso por meio de atividades significativas. Levá-lo para fazer um trabalho voluntário, cuidar de plantas, tomar conta de um animal ou trazer algo relevante para que ele tenha vontade de acordar todos os dias. Isso é importante levar para o seu consciente”, explica a médica, ao destacar um estudo publicado no PubMed que atesta que períodos sedentários mais longos e ininterruptos estavam associados a resultados inferiores em testes de cognição, memória e fluência verbal.

É sempre importante ter em mente que, por trás de cada pessoa idosa, há uma história. Dessa forma, fica mais fácil desenvolver medidas para ajudar. “A ideia é incorporar à rotina do idoso atividades de que ele gosta e que façam sentido para sua vida. Se ele aprecia caminhar, por exemplo, podemos organizar a companhia de um amigo. Se gosta de bordar, cozinhar ou fazer crochê, essas atividades podem ser compartilhadas com outras pessoas, inclusive com os netos. São iniciativas simples, que resgatam hábitos, fortalecem vínculos afetivos e contribuem para o bem-estar e a qualidade de vida na terceira idade”, pontua Joyce.

O desafio, portanto, é reconhecer que o cuidado com a pessoa idosa vai além das necessidades físicas e clínicas. Preservar sua história, respeitar suas preferências e oferecer oportunidades de participação e troca são caminhos para que essa fase da vida seja vivida com mais autonomia e significado. A atenção a esses aspectos deve fazer parte do planejamento do envelhecimento, tanto no ambiente familiar quanto nos espaços dedicados ao cuidado sênior.