Caneta pós-40: manter massa muscular é o que “segura” novo peso

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Perder massa muscular depois dos 40 anos dificulta a manutenção do peso conquistado com caneta: entenda

Depois dos 40 anos, mulheres que usam canetas emagrecedoras à base de tirzepatida devem, durante o emagrecimento, preservar a massa muscular. Isso porque, durante o climatério, período de transição que antecede a menopausa, e também na menopausa, a mulher fica mais vulnerável à perda muscular. O envelhecimento favorece uma redução progressiva da massa e da força muscular, enquanto as alterações hormonais características do climatério e da menopausa podem acentuar esse processo e dificultar a manutenção e o ganho de músculos.

Emagrecer com caneta depois dos 40 anos: proteínas e treinos de força para a manutenção da massa muscular (Foto: Magnific)

De acordo com Flávia Cyfer, nutricionista funcional especializada em saúde da mulher 40+, com atuação especialmente voltada ao climatério e à menopausa, esse é um ponto que deve ser observado desde o início do emagrecimento. “Na minha prática clínica, vejo muitas mulheres felizes porque perderam vários quilos. Mas, ao avaliar a composição corporal, percebo que uma parte dessa perda aconteceu também às custas da massa muscular”, afirma. Por isso, segundo ela, não basta apenas acompanhar o novo número indicado na balança – também é necessário examinar uma eventual perda muscular.

O que diz a ciência

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism avaliou a composição corporal de 160 adultos com sobrepeso ou obesidade durante 72 semanas. Entre os participantes tratados com tirzepatida, aproximadamente 75% do peso perdido correspondeu à gordura e 25% à massa magra, que inclui os músculos, além de água e outros tecidos.

Os pesquisadores observaram proporção semelhante entre os participantes que receberam placebo, indicando que a perda de massa magra não deve ser interpretada como um efeito exclusivo da caneta emagrecedora, mas como uma questão relevante nos processos de emagrecimento.

O papel da massa muscular

A massa muscular participa do gasto energético do organismo. Quando uma pessoa perde muito peso e, junto com ele, uma quantidade significativa de músculos, ocorre também uma redução desse tecido metabolicamente ativo, o que pode contribuir para diminuir ainda mais o gasto energético diário. Isso significa que uma mulher pode terminar o processo de emagrecimento pesando menos, mas com uma necessidade energética menor do que tinha anteriormente.

“Isso pode tornar o emagrecimento cada vez mais difícil, inclusive durante o próprio tratamento. É por isso que muitas mulheres acabam estabelecendo uma certa dependência do uso da caneta para conseguir sustentar o peso”, explica a nutricionista. Ela menciona que muitas delas, quando interrompem a medicação, mesmo comendo pouco, podem ter dificuldade para conservar o peso já conquistado graças às canetas.

Músculo é longevidade

A massa muscular vai muito além da estética. Está relacionada à força, mobilidade, equilíbrio, autonomia, saúde metabólica e controle da glicose. Além disso, ao ser associada ao exercício de força, contribui para a manutenção da saúde óssea e para maior estabilidade das articulações. “Quando pensamos em longevidade, o músculo é fundamental. Não se trata apenas de chegar aos 60, 70 ou 80 anos com um peso adequado, mas de chegar forte, com independência e capacidade de realizar as atividades da vida cotidiana”, ensina a especialista.

Menos fome, mais estratégia

Um dos efeitos esperados dos medicamentos utilizados para controle do peso é a redução do apetite. Na prática, muitas pacientes passam a consumir volumes menores de alimentos — e isso pode representar também uma ingestão insuficiente de proteínas.

Assim, quem tem mais de 40 anos e deseja fazer uso de canetas emagrecedoras deve manter no radar uma meta diária de proteínas, calculadas individualmente. Além disso, é necessário distribuir essas proteínas ao longo do dia, considerando a qualidade das fontes alimentares escolhidas.

Proteínas + treino de força

Mesmo com o apetite reduzido, existem estratégias para aumentar a densidade proteica das refeições, segundo a nutricionista. Desse modo, é possível atingir essa meta sem o consumo de uma grande quantidade de comida. “Para preservar massa muscular, é fundamental associar uma ingestão proteica adequada ao treinamento de força. A alimentação fornece a matéria-prima necessária para a síntese muscular, enquanto o exercício gera o estímulo para a preservação e desenvolvimento dos tecidos”, ensina Flávia Cyfer.