Otorrinolaringologistas explicam o que ajuda e quando procurar orientação médica
Com a chegada do fim do ano, muita gente vai viajar de avião. Mas a mudança de pressão durante a decolagem e, principalmente, a descida pode transformar o trajeto em um momento de dor de ouvido ou de cabeça. O desconforto ocorre quando o organismo não consegue equilibrar rapidamente a pressão da cabine com a do ouvido médio ou dos seios paranasais.

No ouvido, essa compensação depende da tuba auditiva, canal que liga a orelha média à região posterior do nariz e da garganta. Quando ela está bloqueada ou funcionando com dificuldade, pode surgir o chamado barotrauma, com dor, pressão e sensação de ouvido tampado.
“Esse problema se intensifica se a pessoa estiver resfriada, gripada ou passando por um quadro de alergia ou infecção nos ouvidos”, explica a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). As crianças podem sentir mais desconforto porque a tuba auditiva ainda é mais estreita e menos eficiente do que a de um adulto.
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A pressão também pode provocar dor na cabeça e no rosto. Os seios paranasais são cavidades preenchidas por ar e conectadas ao nariz. Se há inflamação, secreção ou congestão, a compensação da pressão pode ficar prejudicada. Pessoas com rinite, gripe, resfriado ou histórico de sinusite podem ser mais suscetíveis.
“Manter essas alterações bem controladas e, quando necessário, passar por uma avaliação médica antes da viagem são cuidados importantes”, orienta a Dra. Roberta.
O que pode ajudar durante o voo
1-Engolir, bocejar ou mastigar: faça isso durante a decolagem e a descida. Chiclete pode ajudar adultos e crianças maiores.
2-Oferecer líquidos, mamadeira ou chupeta aos bebês: a sucção estimula a deglutição e pode ajudar a equilibrar a pressão.
3-Fazer a manobra de Valsalva com suavidade: tampe o nariz, mantenha a boca fechada e sopre de leve. Não force se houver dor.
4-Manter-se hidratado e fazer lavagem nasal com soro fisiológico: pode ajudar a reduzir o ressecamento e a presença de secreção nas vias nasais.
5-Não usar descongestionantes por conta própria: medicamentos e sprays não são indicados para todas as pessoas. A escolha deve levar em conta idade, condições de saúde e outros remédios em uso.
Extra: Conversar com um médico antes de viajar se estiver muito congestionado ou com sintomas de infecção: em alguns casos, pode ser necessário avaliar se é melhor adiar o voo.
Postura correta no avião
Para quem tem enxaqueca, sinusite crônica ou costuma sentir dor durante viagens, a recomendação é embarcar com o quadro controlado e seguir a orientação do profissional que acompanha o caso. Durante o voo, manter a cabeça ereta, engolir com frequência e observar a evolução dos sintomas pode ajudar.
“A medicação deve ser individualizada para cada paciente, de acordo com as condições que podem favorecer esse tipo de dor. Muito intensas, progressivas, que não melhoram, ou acompanhadas de alterações neurológicas ou visuais e sangramento nasal devem ser avaliadas por um médico”, afirma a Dra. Maura Neves otorrinolaringologista pela USP.
Dra. Maura também recomenda atenção à congestão nasal antes do embarque. “O risco de barotrauma aumenta significativamente. Caso a viagem seja inevitável, converse com um otorrino antes”, aconselha.