Especialista explica os cuidados essenciais para manter o emagrecimento e a qualidade de vida após a cirurgia bariátrica
A cirurgia bariátrica ganhou espaço no tratamento da obesidade logo no início dos anos 2000. Ainda assim, a doença segue avançando no Brasil. Dados mais recentes do Vigitel mostram que 25,7% dos adultos das capitais e do Distrito Federal tinham obesidade em 2024, ante 11,8% em 2006. Entre as mulheres, o índice chegou a 26,7%.

O aumento da prevalência da doença também ajuda a explicar a procura pelo tratamento cirúrgico. Em 2023, foram registradas 7.511 cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 65.256 procedimentos por planos de saúde, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Mais recentemente, um levantamento apresentado no GASTRÃO 2026 identificou 9.685 internações por cirurgia bariátrica videolaparoscópica no SUS apenas em 2025.
“Apesar dos resultados obtidos com a cirurgia, o procedimento não encerra o tratamento da obesidade. O período posterior à operação exige disciplina, acompanhamento e mudanças permanentes na rotina. A cirurgia bariátrica não é o fim do tratamento. Na verdade, é depois do procedimento que começa o caminho pelo emagrecimento e por uma vida com mais qualidade”, esclarece o gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Lúcio Jácome
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Especialista na realização de cirurgias bariátricas, com mais de mil procedimentos realizados, Mauro explica que pós a cirurgia bariátrica, o cuidado continua. “É aí que vem uma série de medidas para garantir a segurança, preservar os resultados e ampliar os benefícios do procedimento. Acompanhamento médico e nutricional, suplementação adequada, atividade física, atenção aos sinais de alerta e à saúde emocional, além do monitoramento do reganho de peso, fazem parte dessa jornada”, completa.
6 cuidados importantes para o pós-bariátrica
A seguir, Mauro Lúcio Jácome explica os principais cuidados que devem ser adotados no pós-bariátrica e por que cada um deles é importante para o emagrecimento e a qualidade de vida.
1. Mantenha o acompanhamento médico
“As consultas após a cirurgia bariátrica são fundamentais para acompanhar a evolução da perda de peso, avaliar possíveis complicações e identificar alterações que possam exigir mudanças no tratamento. O acompanhamento deve ser individualizado e envolver, quando necessário, diferentes profissionais da equipe multidisciplinar. A própria abordagem da obesidade é recomendada de forma longitudinal pelo Ministério da Saúde, com acompanhamento integral e multidisciplinar.”
2. Siga a orientação nutricional
“A alimentação muda ao longo das diferentes fases da recuperação e precisa ser adaptada à nova anatomia e ao funcionamento do organismo. O paciente deve seguir as orientações do nutricionista, com atenção especial à ingestão de proteínas, hidratação e fracionamento adequado das refeições. O objetivo é garantir qualidade nutricional e evitar hábitos que possam comprometer a perda de peso ou favorecer deficiências nutricionais.”
3. Use corretamente os suplementos
“Vitaminas e minerais podem precisar ser suplementados após a cirurgia bariátrica, principalmente porque alterações na ingestão e na absorção de nutrientes podem aumentar o risco de deficiências. A suplementação, no entanto, não deve ser feita por conta própria. As doses precisam ser definidas pela equipe responsável e acompanhadas por exames periódicos. O monitoramento permite identificar deficiências e ajustar a reposição conforme as necessidades de cada paciente.”
4. Retome as atividades físicas gradualmente
“A prática de exercícios é importante para a manutenção da perda de peso, o ganho de condicionamento e a preservação da massa muscular. A retomada, porém, deve respeitar o período de recuperação e a liberação do médico. Com a evolução do tratamento, a atividade física passa a fazer parte da rotina de controle da obesidade. O objetivo não é apenas gastar calorias, mas melhorar a composição corporal, a força e a qualidade de vida.”
5. Observe sinais de alerta e mudanças emocionais
“Dor intensa, vômitos persistentes, febre, dificuldade para se alimentar ou outros sintomas fora do esperado devem ser comunicados à equipe médica. A atenção também deve se estender à saúde emocional, já que a cirurgia provoca mudanças importantes na relação com o corpo, a alimentação e a própria rotina. O acompanhamento psicológico pode ajudar na adaptação a essas transformações e na identificação de comportamentos que dificultem a manutenção dos resultados. O paciente precisa entender que não existe uma mudança apenas no estômago. Existe uma mudança de vida, e o paciente precisa acompanhar essa transformação.”
6. Fique atento ao reganho de peso
“O reganho de peso pode ocorrer mesmo após uma cirurgia bariátrica bem-sucedida, e isso não significa simplesmente falta de disciplina. Estudos recentes apontam que a recuperação do peso pode atingir uma parcela significativa dos pacientes, o que reforça a importância de identificar o problema precocemente e investigar suas causas. Quando necessário, o tratamento pode incluir mudanças na alimentação e na atividade física, acompanhamento psicológico, medicamentos e, em situações específicas, avaliação de intervenções endoscópicas ou de uma nova cirurgia. Medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como semaglutida e liraglutida, e a tirzepatida vêm sendo estudados como alternativas para pacientes que apresentam perda de peso insuficiente ou reganho após a cirurgia. Uma meta-análise publicada em 2025 encontrou redução de peso com essas terapias em pacientes nessa situação.”
Além disso, Mauro ainda esclarece que eReganhar peso não significa que a cirurgia deu errado. “A obesidade é uma doença crônica e pode exigir novas estratégias ao longo do tempo. O importante é não esperar o problema se agravar para procurar ajuda. Por isso, o paciente deve entender a cirurgia bariátrica como uma ferramenta dentro de um tratamento contínuo da obesidade. O resultado a longo prazo depende da combinação entre acompanhamento médico, alimentação adequada, atividade física, cuidados emocionais e, quando indicado, uso de medicamentos ou outras estratégias terapêuticas”, finaliza.