Formigamento pode ser esclerose múltipla? Veja outros sinais

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Especialista da Raras Health explica os principais sintomas da esclerose múltipla e quando é importante buscar avaliação médica

Você já sentiu um formigamento que apareceu sem motivo, teve a visão embaçada de repente ou percebeu um cansaço muito maior do que o esforço realizado naquele dia? Na maioria das vezes, esses sinais podem ter explicações simples e passageiras. Mas, quando aparecem de forma recorrente, persistem ou surgem sem uma causa aparente, vale ficar atento: eles também podem estar relacionados à esclerose múltipla (EM), uma doença inflamatória crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. 

De acordo com Trajano Aguiar, especialista em doenças neuromusculares e Neuroimunologia da Raras Health, a esclerose múltipla acontece quando o sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, estrutura que protege as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. O dano a essa proteção interfere na transmissão dos impulsos nervosos entre o cérebro e o restante do corpo, podendo comprometer funções motoras, sensitivas, visuais e cognitivas.

Como a esclerose múltipla é diagnosticada

Segundo o Ministério da Saúde, a esclerose múltipla é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central e afeta cerca de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima que cerca de 40 mil pessoas convivam com a doença. Como as manifestações variam de pessoa para pessoa e podem surgir em diferentes momentos, reconhecer os sinais é um dos primeiros passos para buscar uma investigação adequada.

Outro fator que pode dificultar a identificação da doença é a maneira como os sintomas aparecem. Na forma mais comum da esclerose múltipla, eles surgem em episódios chamados surtos, que podem melhorar depois de alguns dias ou semanas. Por isso, os primeiros sinais podem ser subestimados ou atribuídos a outras causas, como estresse e cansaço do dia a dia.

“Como não existe um único exame capaz de confirmar a doença, o diagnóstico considera o histórico clínico, a avaliação neurológica e exames complementares, como a ressonância magnética e, em alguns casos, a análise do líquor”, explica o especialista. Por isso, observar mudanças no funcionamento do organismo e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes ou recorrentes pode contribuir para uma investigação adequada.

7 sinais de esclerose múltipla que merecem atenção

Entre os principais sinais de alerta estão:

1 – Alterações na visão

Visão embaçada ou dupla, perda parcial da visão ou dor ao movimentar os olhos. Um exemplo é perceber que um dos olhos ficou com a visão turva de repente, como se houvesse uma “névoa” na frente dele.

2 – Formigamento e dormência

Sensação de “agulhadas”, choques ou perda de sensibilidade em braços, pernas, mãos, pés ou em um lado do corpo, que pode surgir sem uma causa aparente e persistir por algum tempo.

3 – Fraqueza muscular

Sensação de que um braço ou uma perna está mais pesado ou dificuldade para realizar movimentos que antes eram simples, como subir escadas, caminhar ou segurar objetos.

4 – Alterações no equilíbrio e na coordenação

Tontura, sensação de instabilidade, dificuldade para caminhar em linha reta ou movimentos mais desajeitados do que o habitual.

5 – Fadiga intensa

Cansaço desproporcional às atividades realizadas, como sentir necessidade de descansar depois de tarefas simples ou perceber que o corpo não responde da mesma maneira ao longo do dia.

6 – Alterações cognitivas

Dificuldade para se concentrar, encontrar palavras, memorizar informações ou realizar tarefas que exigem mais atenção.

7 – Alterações urinárias

Vontade urgente e frequente de urinar, dificuldade para esvaziar completamente a bexiga ou episódios de perda urinária.

Avaliação médica é fundamental

A presença de um desses sintomas, isoladamente, não significa que a pessoa tenha esclerose múltipla, já que outras condições também podem provocar manifestações semelhantes. O mais importante é observar mudanças neurológicas novas, persistentes ou recorrentes, especialmente quando aparecem sem uma explicação clara. Nesses casos, procurar avaliação médica é fundamental para entender a causa dos sintomas e, se necessário, iniciar o acompanhamento adequado.

Para Alexandre Kawassaki, médico e fundador da Raras Health, reconhecer esses sinais também pode ajudar a encurtar o caminho até o diagnóstico. “Ainda existe uma distância muito grande entre o primeiro sintoma e a resposta que o paciente procura. Quanto mais informação de qualidade estiver disponível e mais rápido conseguirmos transformá-la em conhecimento, maiores são as possibilidades de melhorar a jornada diagnóstica e o cuidado desses pacientes.”