Outubro é o mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama e colo de útero
Em relação à saúde da mulher, o câncer de mama permanece como o tipo de câncer mais incidente no Brasil. Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA) são esperados mais de 78 mil novos casos de câncer de mama feminina a cada ano do triênio 2026–2028, correspondendo a 30% dos casos novos entre as mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. Na sequência, aparecem os cânceres de cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), traqueia, brônquio e pulmão (6,4%) e glândula tireoide (5,1%).

A doença não se manifesta ao acaso. O adoecimento da mulher é resultado de uma série de fatores externos e internos. Isso inclui somatória dos hábitos de vida de anos e as condições socioeconômicas e psicoemocionais. Isto é, sua rotina, ambiente e relacionamentos, uma vez que todas as escolhas e experiências afetam o corpo, a mente e a alma.
De acordo com a mentora de vida saudável e terapeuta integrativa Jhenevieve Cruvinel, alguns hábitos promovem saúde e prevenção de doenças. Dentre elas, a prática de atividade física regular, alimentar-se de forma equilibrada, gerenciamento do estresse e sono, não consumir álcool e tabaco, manter o peso corporal em um índice saudável, apoio terapêutico e nutrir relações saudáveis, entre outros.
Conteúdos relacionados Ciência e Conhecimentos
“Um dos fatores críticos na rotina é o estresse crônico. Hoje é reconhecido como um dos fatores que mais afetam a saúde integral. Afinal, a elevação constante de hormônios como cortisol e adrenalina afetam diretamente a imunidade, saúde e resposta fisiológica e emocional pré-dispondo a doenças crônico degenerativas”, adverte ela.
Câncer de mama exige mais que tratamento físico
Segundo a terapeuta, em um sistema social que cobra múltiplas tarefas e jornadas da mulher, a sobrecarga emocional, a ansiedade, o medo, a depressão e diversas situações e emoções sem tempo de serem elaboradas e tratadas se expressam por sintomas que o corpo manifesta.
Estudos relacionados à psicossomática demonstram que é fundamental o acompanhamento psicoterapêutico como suporte para o enfrentamento do estresse, emoções reprimidas, traumas e dificuldades, reconhecendo a conexão mente-corpo e também trazem benefício para pacientes oncológicos no enfrentamento do tratamento da doença.
“O diagnóstico e o tratamento do câncer de mama podem produzir repercussões que vão muito além dos efeitos físicos da doença. Medo da morte ou da reincidência da doença, mudanças na imagem corporal, perda de autonomia, alterações na sexualidade, afastamento das atividades profissionais, mudanças nos papéis familiares e dificuldades nos relacionamentos podem se somar ao sofrimento provocado pelo próprio tratamento”, alerta Jhenevieve. Ela recomenda que “é importante encontrar espaço para um cuidado que considere também a dimensão emocional e subjetiva do adoecimento. Utilizar práticas integrativas e abordagens de cuidado voltadas à consciência corporal, regulação emocional, redução do estresse, autocuidado e reconstrução da relação consigo mesma”.
Segundo a terapeuta, as práticas não substituem o tratamento oncológico nem têm a função de tratar o tumor. Mas podem compor, de forma complementar e individualizada, uma rede de cuidado que reconhece a paciente para além da doença.
Diretrizes da Society for Integrative Oncology e da ASCO já reconhecem evidências para algumas dessas abordagens. É o caso de intervenções baseadas em mindfulness, yoga, técnicas de relaxamento e musicoterapia. Especialmente no manejo de sintomas de ansiedade, depressão e sofrimento durante e após o tratamento.
Alimentação também como centro
Jhenevieve afirma que o que colocamos no prato durante toda a vida, desde a amamentação à nutrição têm impacto direto na saúde humana. Sendo este um pilar fundamental também para a recuperação do paciente oncológico.
Os alimentos ultraprocessados estão no centro desta discussão, uma vez que aumentam em muito o risco para o desenvolvimento de câncer e doenças crônicas. “São produtos ricos em açúcares, gorduras e produtos químicos que promovem a desregulação da flora intestinal. Além de favorecerem inflamações silenciosas que, a longo prazo, podem abrir espaço para essas doenças”, comenta.
Segundo ela, para a prevenção é essencial dar prioridade para uma alimentação rica em:
- fibras;
- antioxidantes; vitaminas e minerais;
- vegetais verde-escuros;
- as frutas vermelhas e frutas variadas;
- castanha do Pará;
- azeite.
“Esses são alguns alimentos que atuam como verdadeira medicina preventiva, fortalecendo a imunidade e equilibrando hormônios.”
“Além da composição bioquímica dos alimentos, o ato de dedicar um momento de pausa para comer com presença, consciência e conexão transforma o momento da alimentação em uma prática terapêutica, preventiva e capaz de reduzir ansiedade, trazendo benefícios físicos e emocionais”, aconselha.
A Psiquê e a espiritualidade
Conforme a opinião da terapeuta, o âmbito psíquico mais poderoso é a espiritualidade. Uma vez que neste espaço interno cada pessoa encontra sua maneira e os recursos necessários para ultrapassar as adversidades da vida com mais resiliência, força e um sentido de conexão.
“Acredito que o Outubro Rosa seja um chamado a autoconsciência e ao autocuidado. Um convite a cuidar de si e das mulheres em nosso meio familiar, social e profissional, apontando a importância de cultivar diariamente a saúde. É isso o que nos permite viver com plenitude”, ensina.