Você descansa ou apenas para de trabalhar? Neurocientista explica
Para a neurocientista Daiana Petry, muitas pessoas levam o trabalho para casa mesmo sem abrir o notebook. “Você pode ter encerrado todas as tarefas do dia e ainda continuar trabalhando mentalmente. O corpo chegou em casa, mas a mente continua respondendo mensagens imaginárias, antecipando problemas e repassando conversas. Quando isso se torna frequente, o período que deveria ser de recuperação deixa de cumprir plenamente essa função”, explica.

No Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, a dificuldade de estabelecer uma fronteira entre trabalho e vida pessoal chama atenção para um problema cada vez mais presente na rotina: parar de trabalhar não significa necessariamente começar a descansar.
A dificuldade do descanso
O problema não está apenas no tempo efetivamente dedicado às tarefas, mas na expectativa permanente de que algo pode surgir.
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Segundo Daiana, alguns sinais podem indicar que a pessoa está tendo dificuldade para fazer essa transição: checar mensagens profissionais repetidamente à noite, continuar reconstruindo mentalmente situações ocorridas durante o dia, sentir culpa ao não estar produzindo, apresentar irritabilidade no fim do expediente ou chegar à hora de dormir ainda pensando nas demandas do dia seguinte.
“Existe uma diferença importante entre estar sem trabalhar e estar verdadeiramente em repouso. Descansar exige uma mudança de estado. Se você sai de oito horas de trabalho e passa imediatamente para mais estímulos, notificações e preocupações, pode faltar ao organismo uma sinalização clara de que aquela etapa terminou”, afirma.
“Nosso cérebro aprende por associação. Quando repetimos determinado estímulo dentro de um mesmo contexto, ele pode passar a funcionar como uma espécie de marcador daquela experiência. Por isso, um aroma utilizado apenas no momento de desaceleração pode integrar um ritual que sinaliza: agora começou outra parte do meu dia”, explica Daiana.
Ritual de 5 minutos para sinalizar que o expediente terminou
Daiana Petry sugere criar um pequeno ritual de transição entre trabalho e descanso. Comece fechando o computador e silenciando as notificações. Diminua a iluminação, troque de roupa ou tome um banho para marcar a mudança de momento.
Depois, escolha um aroma agradável, como a lavanda, e reserve-o para esse período. Uma opção é colocar uma gota do óleo essencial em uma fita olfativa ou algodão, mantendo-o a uma distância confortável do nariz, e fazer algumas inspirações suaves enquanto direciona a atenção para a respiração.
“A ideia não é que o aroma ‘desligue o cérebro’, mas que funcione como uma pista sensorial. Quando esse ritual é repetido, aquele cheiro pode ficar associado ao momento de desacelerar e deixar as demandas profissionais de lado”, explica Daiana.
Ela conta que não precisa transformar o descanso em mais uma tarefa que precisa ser executada perfeitamente. “O ritual pode durar poucos minutos. O objetivo é criar uma pequena fronteira entre o ‘eu que precisa produzir’ e o ‘eu que agora pode simplesmente estar presente’”, finaliza.